quinta-feira, 17 de abril de 2014

O que nunca teve início não pode ter fim.
E o que só teve meio já começou meio errado.
Não há o que se fazer... além das malas.
E esperar por um novo porto
E lembrar que só é árvore o que criou raizes, sem pressa...
E só criou raizes o que foi semente, despretenciosa...

É bom lembrar
De nunca esquecer
Que nada é e tudo está


É bom lembrar
De nunca esquecer
Que nada é e tudo está

Quando sou, estou
Quando certeza, palpito
Quando certo, duvido
Quando erro, repito
Quando coragem, exito
Quando medo, insisto
Quando grito, silencio 
Quando silêncio, escuto
Quando sério, sorrio
Quando caminho, fico
Quando ainda, não mais
Quando sempre, jamais

sábado, 12 de abril de 2014

O preço, o tempo e todo o resto...

Preço, abstratação utilizada para medir importância ou relevância. Também, um método de medir disposição ou facilidade de se ter acesso ou produzir algo.

Mas acima de tudo, preço é a valoração universal para algo.
Quanto mais difícil de se ter, maior o preço.
Ou quanto é a maior dificuldade de uma possível recuperação de algo, maior ainda é o preço.

Mas certas coisas não tem preço. O tempo, por exemplo. 

Insiste-se na tentativa prostituir o tempo, mas a verdade é que o tempo não se compra, não se transfere, não se dá, só se desperdiça ou se ocupa.

Ainda assim, como o tempo, preço é relativo. 
Você pode pagar nada em algo que, para alguém do seu lado, vale a vida.
Você pode gastar seu tempo fazendo nada aos olhos de alguém e ainda assim, serem os minutos mais bem aproveitados da sua vida.

Aponta-se diariamente às perdas de tempo, o tempo que foi, o tempo que é, o tempo que poderia ter sido e, por fim, o tempo que virá e para o qual não se está preparado para aproveitar em sua completude.

A verdade é que o tempo, assim como o preço, não existe. Invenções patológicas do ser humano. Abstração não passa de uma palavra antropocêntrica para mentira.

O tempo não passa de ansiedade
O preço não passa de mesquinharia
E a vida, todo o resto.

terça-feira, 8 de março de 2011

quero que você me conte
sobre os lugares que você foi
sobre as estrelas que você tocou
sobre os amores que você amou

quero que você conte pra mim
tudo que você já pensou
e o que ainda pensa
sobre as cores dos mares
sobre a luz dos olhares

quero que me conte
de tantos que já morreram
e nem sabem

quero saber
sobre as voltas que o mundo dá
sobre tudo que nele há

quero que me conte
algo novo para alcançar

domingo, 9 de janeiro de 2011

nãosei

Não saber, afinal,
Acho que isso
Que é ser feliz.

Simplesmente aceitar
Que a vida não pára,
Que nunca se pode
Estar no mesmo lugar
Ou pelo menos saber
Onde se está.

Apenas se conformar
Com o caos do passar
Dos dias,
Das horas,
Dos segundos.

Com o fato
De que cada segundo são 24 imagens,
Incontáveis emoções.

Que cada voz, cada tímbre
Te lembra todas as felicidades e tristezas.

Nunca se está aqui.

Conformar-se,
Que do acordar ao deitar,
Você será feliz e triste
Incontáveis vezes.

Sentir
E deixar sentir.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

eu já nem sei se quero
ou se não quero

é melhor parar
e pensar

no passado
no custo-benefício

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

não há mais o que refletir
ultrapassada a linha do bom senso
a milhas atrás
só nos resta vagar

não se vê margem, nem limite
nem a fronteira para retornar
apenas um olhar

um olhar perdido, vago,
meigo de admiração
ao olha seu desajeitado caminhar

um sorriso... dos olhos
tao singelo
e vc nem lembrava mais o gosto
de sentir um beijo roubado
com os olhos

terça-feira, 2 de novembro de 2010

os amores ou O amor?

Inúmeras e inúmeras vezes nos apaixonamos durante a vida, algumas pessoas mais frequentemente, outras menos. Mas afinal, o que diferencia esses amores?
O que nos faz escolher um, no meio de tantos outros, para ter uma vida juntos? Afinal, os outros eram só ilusões? Exite, realmente, o "escolhido"? O "único"?
Você pode amar várias pessoas, até com a mesma intensidade, mas o "escolhido" não é tão "único" quanto pode parecer. Você não precisa garimpar e tentar descobrir se quem você achou é a sua preciosa alma gemea. A única coisa que você tem a fazer é escolher. O escolhido, no final das contas, é escolhido por você e não pelo destino. Você escolhe com quem casar e ter filhos, você escolhe com quem passar o resto dos seus dias, assim como, um belo dia, você pode escolher não querer mais passar o resto da vida com essa pessoa e simplesmente, esoclher se separar, ter um novo escolhido para, outra vez, passarem o resto da vida juntos, até que escolham outra coisa.
O amor não é uma coisa tão única assim e, para algumas pessoas, é até banal, rotineiro. Mas o amor único mesmo, que estará do seu lado até a morte, é o amor que você escolher e só será assim até o dia em que você quiser que seja "assado".

domingo, 26 de setembro de 2010

hoje, eu me recordo de todas as minhas derrotas.
então nos vemos na ponta dos pés,
em cima de um fio de ilusóes.
e é tudo que temos.

domingo, 19 de setembro de 2010

não esqueça de lembrar
que certas coisas não tem preço.

sábado, 28 de agosto de 2010

OsNósSomosNós.

os nós.
como desatar os nós?
como desatá-los?

não há nada que consiga te fazer se perder mais,
nada que consiga te fazer sentir mais no meio do nada,
sem chão pra pisar.

ai, os nós.
você perde a fé,
o ar e até o chão.

parecem tão inidesatáveis,
rígidos e de concreto,
indestruíveis parecem os nós.

eles se alimentam de nosso desespero,
da nossa respiração ofegante,
da nossa desesperada falta de esperanças,

eles se alimentam do nosso bater de pés
sem encontrar onde pisar,
os nós.

tudo que nos resta é sentar,
desistir mas esperar.
enganá-lo,
trapaceá-lo,
o nó.

fingimento ardil
de nossas pretensões estarem mortas.

só aguardar,
um aguardo silencioso
que ele nem sabe do que.

um aguardo da hora
em que aquele tímido grão de esperança disfarçada
vá se mostrar outra vez.

domingo, 15 de agosto de 2010

os fracos continuam fracos,
os fortes continuam distantes,
os valentes ainda de espadas erguidas

e os mortos?
continuam vivos.

sábado, 7 de agosto de 2010

OComeço...doFIM

Voltas às aulas de inverno. Sempre trás essa sensação de quase recomeço, vacilante.
Alguns dos que estavam não estão mais, alguns que ainda estão, estão tão diferentes que quase são irreconhecíveis. Inclusive você, às vezes.
Você não sabe mais quem está aí por você. Alguns amigos agora são simplesmente pessoas. Alguns amores... já são simplesmente mágoas.
Mas é claro, em todo quase-recomeço você pode encontrar coisas boas. E só neles você pode ter novas cartas mesmo sentido um pontinha de algo bom do passado. Afinal, tem suas vantagens não abandonar totalmente meio ano de vida.
Você não tem mais aquela amiga ranzinza ótima de balada,
mas você tem duas novas amigas loucas para madrugada.
Você não tem mais aquela amiga de tardes no parque,
mas não esqueça que você tem um ótimo novo parceiro de cinema.
É claro, houve muitas feridas, muita perda e muito sangue, mas você não está mais em carne-viva e já aprendeu algo sobre como dançar nisso tudo. Pode não ser tão nata como eram as velhas canções mas você já esteve por cima e já esteve por baixo e se tem algo que você sabe melhor que a maioria é que não basta querer, mas depois de ter vontade de alguma coisa, então não há porque parar.

e se algumas feridas do passado ainda não estão fechadas,
bom...o ano ainda não acabou,
você ainda tem chance de não se deixar apodrecer.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

então você percebe a diferente entre quem gosta de você e quem gosta, simplesmente, da sua atenção.
afinal, parece que quem você é e o que você faz são realmente coisas diferentes,
pelo menos para o coração.

sábado, 17 de julho de 2010

Casamentos, noivados, namoros... quantas vezes você não se depara com alguém passando por um desses lindos momentos em suas vidas e pensa "que tipo de animal teria uma relação com esse imbecil?!".
Dia após dia você vê o mundo em amor: casais sendo formados com pessoas que não sabem diferenciar 'mais' de 'mas', que não sabem que 'uma hora e meia' não se trata no plural e que acham que 'aloka' está no dicionário. Então, como você, que leu e gostou de obras de mais de dois séculos atrás e que fala 4 línguas e que sabe tudo sobre moda e que canta, dança, representa e faz serviços alternativos, ainda está sem par?
Talvez, até tenham havido proposta para você, mas elas não foram vantajosas o bastante e vieram desse tipo de bestas tão "amáveis". Ou talvez você seja muito perfeccionista ou esteja vendo muito filme ultimamente e é provável que seja por isso que você ainda não esteja tendo filhos com esse tipo de ser. Mas não é nenhum crime esperar pelo menos o mínimo de racionalidade, é?
Nossos patéticos casais românticos falariam que o amor não tem nada a ver com racionalidade, que é algo que vem de dentro de você (ou pra dentro de você), que somos que nem os cachorrinhos que sentem (como cheirando as partes íntimas alheias) quando se encontrou a pessoa certa.
O que eles não sabem é que o amor é a coisa mais lógica do mundo, é puramente matemático. Você subtrai as coisas que você não suporta numa pessoa pelas coisas que você suporta. Se o resultado for positivo, parabéns! Você está amando...ou apaixonado pelo menos.
Mas quando no mundo esse tipo de cálculo daria positivo tratando-se de uma pessoa que não sabe nem falar?!
Todos nós temos consciência de que nem todos tem os mesmo tipos de valores ou o mesmo tipo de gosto, afinal, é por isso que pessoas diferentes se relacionam com outras pessoas diferentes. Mas há um limite pra tudo! Principalmente quando as coisas que você suporta numa pessoa não completam nem uma mão. "Admita! Você namora um primata!" deveria vir tatuado na testa desses imbecis. A não ser que os imbecis sejamos nós, que não temos necessidade profunda de nos relacionar com o primeiro punhado de carne sexualmente ativa para suprir nossa profunda carência. Mas, enquanto os outros não encontram a sensatez e nós não perdemos nosso bom gosto, os primatas continuaram arranjando quem os queira como animal de estimação.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

doot doot

Então, nós continuamos vivendo com essa idéia
De que somos sempre diferentes do que éramos
E que cada dia é um novo dia.
Que nossos velhos hábitos já não são mais nossos.

Assim, nos convencemos que nunca ficamos defasados,
E que os dias, as horas, a vida
Nunca serão capazes de nos frear
Como já fizeram.

Nós ainda temos essa esperança,
Que hoje somos invencíveis,
Que não somos mais quem éramos ontem.
Somos à prova de balas agora.
Claro que não somos.
Hoje, amanhã e depois
Nós perderemos
Como já perdemos antes.

Mas, eventualmente, nós podemos ganhar
Algumas vezes,
Não todas, claro.
E provavelmente, nem a maioria delas
Mas aí que está a graça do jogo, não?
Nós nunca sabemos onde vamos parar.
Se vamos vencer ou ser derrotados.
E nós simplesmente adoramos isso,
É o que nos move.

Então, continuamos jogando nossos dados
Dia após dia
Essa é a graça do jogo.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Maio

Maio, o mês de todos os desesperados. Quando todos os viciados em namoro e criaturas afins jogam-se nas baladas e nos sites de relacionamento em completo estado de pânico pela possibilidade de, no dia 12 do mês seguinte, não ganhar nenhum presente ou cartão meloso.
Nesse mês bizarro, enquanto todos os encantadores solteiros e, principalmente, solteiras correm sedentos atrás de um dedo anelar vago, os namorados refletem se essa data tão encantadora seria mesmo motivo para se comemorar. Afinal, a suposta metade da laranja nem sempre parece se encaixar tão bem à nossa. As vezes, flores, chocolate e ursinho parecem ser menos apropriados que um hipoglos para dores de pé-na-bunda.
Mas nem todos os namorandos estão pensativos. Alguns deles estão acostumados demais para cogitar a idéia de não ter quem lhes dê uma caixa de doces em forma de coração. Aliás, eles não se incomodariam de ganhar menos q um bombom podre, qualquer coisa seria desculpa o bastante para conseguir ignorar o formigamento que seu pé sente quando vê o traseiro do “ser amado”.
E, claro, não se pode esquecer dos “outros”. Por mais que, infiltrados nos relacionamentos alheios, não recebem seu devido reconhecimento. Eles, postos de lado, como muitas vezes são, vêem o dia 12 como mais um desses momentos. Sozinhos em casa, preferem locar os filmes menos românticos possíveis, prepararem uma panela de brigadeiro, passar o dia deitados mas com o mais profundo desejo de entrar em coma até o dia 13.
Enquanto os amantes fogem do dia 12, os amados também preferiam hibernar durante essas 24 horas. Esses “espíritos livres” não temem um fora, mas sim o contrário. O que deixa eles morrendo de medo é a possibilidade de todas essas velas e corações darem, ao seu “casinho”, a oportunidade para por uma algema no seu pulso, ou melhor, no seu dedo e na sua genitália. E os coitados, que embora tenham hormônios de sobra, também têm, infelizmente pra eles, coração. Acabam aceitando pôr um cinto de castidade que só se abre com a digital do carcereiro.
Mas não importa se o dia dos namorados pode deixar as pessoas desesperadas, frustradas, rejeitadas ou pressionadas. O mês de maio, todas elas sabem, é a última chance de consertar seu trágico estado. Porque, no final das contas, nenhuma delas quer passar esse dia sem companhia e, de preferência, que não seja a de 5 barras de chocolate.

sábado, 8 de maio de 2010

amor de filmes, utopia, ilusão. até que ponto devemos acreditar? até que ponto devemos esperar? esperar alguém perfeito, bonito, simpático, que pense que nem a gente e, claro, nos satisfaça sexualmente.
até que ponto se deve só esperar? e por alguém que possivelmente nem existe, ou, se existe, está tecnicamente inviável.
até que ponto não devemos nós mesmos pararmos pra pensar, pra lembrar, a função de um relacionamento? afinal, manter os pés aquecidos de noite não é assim tão dificil, mas o resto...o resto que é dificíl. dificíl porque já não lembramos mais o motivo do amor. pois a função do amor não é te fazer rir, nem chorar, nem te trazer o melhor sexo da sua vida. a função do amor é te desequilibrar, te abalar, te fazer se perder e então se encontrar. porque, afinal de contas, alguém ainda acha que se encontra alguém pronto e perfeitamente compativel com com outra pessoa?
e aí está nosso ausaimer amoroso, simplesmente esquecemos que o amor é feito pra nos mudar, não o que somos ou nossos gostos, o amor foi feito pra mudar nossas atitudes. foi feito pra nos acostumarmos a estranhesas alheias e receber de volta também a compreensão dos outros sobre nossas esquisitisses. o amor é contruído assim, de diferenças e imperfeições, que, por causa dele, nos faz unidos apesar delas.
mas é lógico! nunca nos agrada as coisas que consideramos imperfeições. sempre nos desagrada, pois entrar na vida de alguém tras muitos riscos de encontrar muita coisa disconfortável. e, de um jeito ou de outro, só o que se procura hoje em uma pessoa é conforto. conforto com o estilo da pessoa, com o jeito de falar, com os assustos, com corpo, com o dinheiro, com a distância...
nós estamos lacrados, se alanisa todos por uma enorme lista de pré-requisitos obrigatórios e se classifica em "tem futuro" ou "não é pra mim". nunca nos lembramos que o problema talvez não esteja em não existir ninguém no mundo possível de nos amar e ser amado pela gente. o problema talvez esteja no nosso desacostume de se abrir de verdade pra alguém que não segue exatamente nossa lista-peneira.
há, claro, quem prefira estar só. não que minha idéia de amor seja estar mal acompanhado, muito pelo contrário. mas ter alguém do seu lado, com quem você se sinta bem, apesar de tudo.
ou você acha mesmo que um Paul Varjak vai bater na sua porta depois de um café da manhã na Tiffany's?

segunda-feira, 3 de maio de 2010

e quem se é?
quem se é quando você nao é mais a vítima?
quando não se é mais o moçinho, o indefeso

o que se é quando,
pelas voltas que a noite dá,
você se vê tão bandido?

afinal, nunca se é feliz
fazendo quem se ama triste

e só depois que a noite acaba
você lembra disso.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

FazZumzumPraEuVer

e agora
que não tem mais
por que chorar,
eu choro.

choro, mas não é ruim.
meus choros, estranhamente,
são sempre bons.
se são de dores,
são de dores superadas.
se de emoção,
são melhores que todos os sorrisos.

quando dói, não choro.
quando dói, eu agonizo
num silêncio profundo de maças secas.
nessas horas eu só seco
pois nem todas as lágrimas
dariam vazão a minha dor.

mas hoje choro,
choro de lembrar da dor
e é bom,
bom de lembrar que ela estava
e não está mais.

será que é verdade o que dizem?
que quando rimos da dor
é quando já superamos?
pois pode ser uma grande mentira dos meus olhos
mas minhas lagrimas gargalham doces sobre meu rosto

segunda-feira, 12 de abril de 2010

e o que mais me enraivesse
do que sobrou
foi que isso que sobrou.
e eu ainda escrevo sobre você.
mas eu só sou um moribundo
que nao sabe enterrar os mortos
que só faz lembrar de quem nem mais respira

porque quem hoje respira na tua carcaça
nao é aquele que respirou
nao é quem um dia importou

não é culpa de ninguem,
eu só fiz dar a cara,
você só fez bater.

estamos todos limpos,
nossa superficial anistia,
nosso pacto de hipocrisia.

que nos garante
que nunca mais seremos
o que fomos

e que meu calado suportar
sempre me trará a agonia
de lembrar
o que já passou um dia.

ainda

eu ainda espero
sem motivo,
sem destino,
sem ninguém.

apenas eu fico
e espero.

mas cada segundo q fico
ele está lá.

lá, no teu dedo,
na tua cabeça.

e, cada vez que eu te toco,
a cada 'oi' e a cada 'tchau'
eu sinto ele
lá, na tua mão.

áspero aro metálico, ele
que me lembra
a cada toque
que ele está lá
sempre está
e não eu.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

ASelva

Eu ainda não engoli essa cidade.
A imensidão de dentes afiados,
De olhos predadores
E um céu...que, todos os dias, anuncia
A vitória em nome da derrota.

Mas afinal, é a selva de pedra.
Aqui é matar ou morrer.

Eu já escolhi o que ser
E não é a caça.

Mas, aqui, o que é importante não é lembrar
Quem você é...e, sim, não esquecer
Que nem todos os dias são do caçador.

Eu ainda não engoli essa cidade,
Mas ela...também ainda não me engoliu.

OMundo

O mundo está trancafiado
Na retina dos meus olhos,
Está na palma das minhas mãos,
Nas voltas da minha lingua,
Nas orlas das minhas orelhas,
Nos túneis das minhas narinas.
O mundo sou eu!

Cadê?

ai que sono,
ai que sono.

cadê minha cama?
cadê?
cadê meu dengo?
cadê?
cadê meu ninho?
teu carinho?
cadê?

ai que sono,
ai que sono.

e o meu bocejo
é o meu grito mudo,
minha pergunta gritada,
é o meu grito de 'cadê?'
cadê você?
cadê?
cadê meu sono?

ACartaInvisível

Mas, então, meu dengo, te escrevo porque não sei mais porque. Não sei, meu dengo, se você é meu bem querer. Porque eu, meu amor, eu sempre quis o que não podia ter, dengo meu. E agora, eu posso te ter. Será que posso te amar, meu amor? Será? Eu não sei e acho que você não sabe. E eu acho, aqui entre nós, que você também nunca vai me amar, meu amor. E não pense que sou de dar chance. Eu, meu bem querer, eu fico em casa, eu não dou chances, meu amor.
Mas bem agora, tem algo que eu não posso ter, dengo meu. E não quero mais querer, eu não quero mais amar, amor. Não o que não posso ter pelo menos. Hoje eu quis chorar, meu dengo. Passei o dia sem pensar em você. Será que se eu tivesse lembrado de você eu teria sorrido? Eu me cativo muito mesmo pelo que não posso ter, meu amor.
Olha, dengo, eu nunca vou te mostrar essas linhas, você nunca vai saber que não sei se te amo. Não pela minha boca pelo menos, bem querer. Mas nessa carta, eu te conto toda a verdade, nessa carta eu te ponho tudo pra fora, esvazio dos meus pensamentos, do meu coração, pra quando você olhar nos meus olhos, meu amor, você não enxergue atrás deles essas linhas. Porque agora, agora elas estão esparramadas nesse papel, meu amor. É por te contar toda a verdade nessas linhas que me asseguro que nunca la encontrará nos meus olhos.

sábado, 6 de março de 2010

de todos meus consolos, eu somo mais um
um verdadeiro afim
já que entre todos os falsos que criei
pra acreditar que não estou pior que você

pois você,
você tem ele.

e eu?

mas agora o ele, eu sei
é repugnante
e não faz nem sombra a minha solidão.

pois percebi que o ele é tão insignificante
que só por costume está no teu coração.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Chega uma hora que você toma as rédias da sua vida
Que você aprende a manobrar um carro
sem medo de subir na calçada

É inevitável

Você não sabe bem o que acontece
E você sabe que o controle é seu
Mas não está mais na sua mão
Você sabe que as coisas tem que acontecer
E que pode doer

Isso é só o começo

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Arranca

O adeus arranca:
Um pedaço da gente,
que se deixa,
E um pedaço do outro,
que se leva.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Nunca fiquei tanto tempo sem praticar exercícios, nunca fiquei tanto tempo sem ler um livro, nunca comi tanto chocolate, nunca assisti tanta TV, nunca dormi tanto e nunca fiquei tanto tempo sem correr atrás de ninguém.
Em tempos difícil e complexos como esse, é absurdo como até meu cachorro parece ter uma vida afetiva, esportiva e -pasmem- as vezes até intelectual mais ativa que a minha.
E o que faz quando se chega a tão fundo no poço? Virar garoto de programa? Se entregar a primeira criatura desconhecida que esteja afim? Virar um frígido obcecado por trabalho e livros? Ou simplesmente continuar fugindo de um compromisso que talvez eu até queira e de uma carreira que talvez também eu queira?
O que afinal está errado comigo? Nem é tão bom assim isso tudo, vegetar parece ótimo quando se tem uma vida ativa.
O pior de tudo é que saio, bebo, fumo, me divirto. Mas a questão é: eu também me divirto indo na academia, afinal nunca foi um grande sacrifício pra mim, eu também me divirto saindo com alguém legal e, sim, eu tenho uns 5 livros na minha cabeceira que eu adoraria ler. Mas então, por que não ler? Por que não sair pra encontros ou ir na academia?
Ou será que eu não sou mais o mesmo? Meus gostos não são mais os mesmo? Será que não gosto mais de ir na academia? não gosto mais de ler? não gosto mais de namorar?
Afinal, algo é alguma coisa? Definitivamente? As pessoas não simplesmente estão de um jeito hoje e daqui a alguns dias ou meses elas estão de outra maneira? Existe ao menos uma pessoa no universo que seja pra sempre e constantemente igual durante todos os dias de sua vida?

sábado, 12 de setembro de 2009

deNoite

Porque, de noite, o tempo passa mais depressa,
O corpo quase que se move sozinho
E eu já nem sei mais por que ainda estou vestido.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

AsFaces

Nas mil faces que tenho,
Você diz-se confuso
Que nas mil faces que tenho
Você não sabe como agir.

Mas nada mais fácil
Que minhas mil faces
São todas diferentes
E todas iguais

Não é difícil de ver
Que metade delas
Só precisa de um beijo
E a outra metade
Só pede por um tapa

OMeuSilêncio

Meu silêncio não responde nada.
São minhas perguntas,
São meus pensamentos,
Não nenhuma resposta nele.

Meu silêncio é tudo no que acredito desacreditar,
São todas minhas possíveis concepções.
Ele são todas minhas mentiras,
É tudo que você de mim .

Meu silêncio são todos os meus falsetes.
São todas as minhas dúvidas.
É tudo que não sei,
Todas minhas incertezas,
Tudo que me instiga e atormenta.

Meu silêncio sou eu
Por inteiro e do inicio ao fim.
Meu silêncio é tudo que não compreendo sobre mim.

Ele carrega toda a minha verdade
E é dono de todas as minhas humanidades.

Pois meu silêncio
É tudo que alguém pode saber sobre mim
E nada mais.

DoenteDeDor

Tudo que te doer,
em mim, doerá em dobro.
Pois é a dor de te amar
que me faz doente de tuas dores.


para HTL

terça-feira, 25 de agosto de 2009

OAveçoDoInverso

Batatinha quando nasce põe a mão no coração
Menininha quando dorme se esparrama pelo chão

E é assim que as coisas vão
No meio de toda essa esculhambação
Das historias infantis de simples idealização
Vão se agrupando os dias sem nenhuma direção

Enquanto a vida, em contrução,
Por pura diversão
Pinta-se com a propria mão
À imagem e semelhança da inversão
de tudo que nos haviam contado até então

Pra no final de toda essa controversão
Nos restar versos sem conexão
Em algumas linhas de pura elucubração.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

EuPudiaJurarQueEraRomântico

E eu que jurei que era dengoso
Jurei que era pegajoso,
Um chato grudento
jurei que era um carente cachorro sarnento

Eu não sou dessa onda de "sexo e tchau"
Eu pensei que eu era menos banal
Pensei que era daqueles que troca uma transa por um cafuné
Que não troca um bom suco por um café

Eu tinha certeza que eu não era cachorro,
Muito menos galinha
Podia jurar que de amores fácil fácil morro
E que eu nunca ia sair da linha

Mas minhas juras já não tem valor
Depois de tanta bagunça e tanto rancor

Não sou mais que um bandido
Ou um perdido
Seja lá porque
Se é pelo desuso
Ou se é culpa da TV

Não sei mais o que posso saber
Nem o que esperar, nem o que perder
Dessa vida louca e demente
Que me faz assim pendente
Entre bom partido
E mero pervertido

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Livre Arbítrio nas relações humanas.

Das poucas certezas que existiram, e a única que ainda existe a meu ver, é o conceito de Livre Arbítrio. Eu sei, parece brega. Antiquado e medieval, como qualquer conceito supostamente católico após a segunda guerra. Mas pra mim, não soa assim.
Livre Arbítrio me parece muito mais como um conceito humano do que uma regra, mecanismo, dádiva (ou seja, lá como você quiser chamar) advindo de uma força cósmica maior ou divina. É um simples mecanismo humano com a intenção de amenizar nossa culpa na hora que fazemos o que pode nos parecer moralmente errado. Assim como é reconfortante saber que sempre podemos contar com o Diabo para ser o culpado pelas desgraças. Assim como é intensamente acolhedor termos um Deus ou meia dúzia de santos para quem rezarmos em momento de desespero e angústia.
O conceito de Livre Arbítrio, na realidade, é o contrario disso tudo, por isso é bem mais teórico (e só é prático em momentos restritos). Pois Deus e Diabo são projeções que não se voltam contra nós, eles são criados para desempenhar uma certa função e a desempenham. Deus é bom e acolhedor, se fazemos algo que vai contra as qualidades prezadas por Deus, ele nos perdoa, pois é bom, ou seja, desempenha perfeitamente o papel dele. E o Diabo é mal, é um bode expiatório que é culpado por todas as desgraças humanas, por nossos erros e falhas, logo, é fiel a sua função também. Esses dois conceitos são simples de lidar, é uma relação entre você e eles, simples e direta, sem nenhuma interferência com uma terceira pessoa, sem envolvimento de nenhum outro ser, logo, sem interferir em nenhuma relação social (note que falo dos conceitos de Deus e Diabo, não de religião, Igrejas ou outros tipos de organizações religiosas). Sendo assim, você não entra em conflito, é um mutualismo em perfeito funcionamento.
Já o Livre Arbítrio é bem diferente nesses últimos aspectos. Ele não existe só pra você, porque nessa relação de liberdade você encontra obstáculos, as liberdades alheias. E no momento que sua liberdade (concedida pelo Livre Arbítrio) entra em contato com a do outro, surge a maior falha desse conceito, onde ele se volta contra nós, logo, é muitas vezes ignorado, por isso ele é parcial e teórico na maior parte do tempo. Já que diferentemente de Deus e Diabo, o Livre Arbítrio se relaciona com o terceiro, não é feito só para justificar ações supostamente erradas. O Livre Arbítrio tem uma forte carga de empatia e cumplicidade. Ele existe não só para justificar ações pessoais, como as de outro indivíduo também. Ele é um mecanismo diplomático em uma relação social que te leva a analisar a ação alheia de um ponto de vista mais liberal e flexível, do ponto de vista do livre arbítrio, mas nesse caso não do seu, mas do Livre Arbítrio do outro, já que ele tem a liberdade que quiser que, por vezes, interfere no meio em que você convive.
Analisando dessa maneira, cai-se por terra a velha Lei de Talião, pois mesmo sendo o outro responsável por alguma interferência no seu meio, ele agiu dentro do Livre Arbítrio dele. O que, muitas vezes, é ignorado pelo instinto animal de ferir quando se é ferido, nas relações humanas.
Se esse conceito, básico para qualquer relação social, for esquecido, as diferenças ideológicas se tornam conflitos ideológicos e, logo, tornam-se guerras, e senão guerras, tornam-se intransigências e, em seguida, desrespeito e violência.
O livre arbítrio, portanto, é o conceito fundamental de qualquer inter-relação social bem sucedida e é o único capaz de tornar as diferenças menos nocivas e, até mesmo, harmônicas.

E Você Vem Me Dizer...

E você vem me dizer que minha poesia tá barata
Tá farrapa
Que tô banal,
Tô marginal

Que tô é perdendo a poesia
Que tô contemporaneo demais

Que minha poesia já não faz o que fazia
Que tô é perdendo "meus strass"

Mas poesia não passa de expressão de vida
E minha vida já não brilha desse jeito mais.

Por motivos de clareza da idéia central da poesia, uma alteração na relação entre Bem e o Mal, por mim.

Pois que de todo mal um bem se tira
e em cada bem um mal se faz.
Já nenhuma ação é pequenina
e nada se deixa para tras.

Rima Brega de Fossa (de utilidade pública)

Pois quando se dá tudo por alguém,
Difícil é de perceber na hora
Mas vê-se mais além
No exato agora

Que quando se dá tudo a alguém
Não nos restará muito, sem demora.

domingo, 2 de agosto de 2009

é essa angustia
essa tensão
isso que eu chamo de amor

essa incerteza
esse frio na espinha
isso que eu chamo de amor

é esse tremor
esse temor
isso que eu chamo de amor

é essa agonia
esse anel de vidro
isso pra mim é amor.

A verdade é que...

A verdade é que eu tô pouco ligando,
Tô pouco me lixando
Pra toda essa fama,
Todo esse drama.

Eu tô é cagando
E andando.

sábado, 1 de agosto de 2009

assinado pelo alter ego do meu alter ego.

então você casa
e me leva pra casa
me leva pra cama
sem declaração,
sem drama
nem teatro de paixão.

só pra lembrar
o gosto daquilo que não pode mais

lamber, mordiscar
para tudo tem seu momento
menos pra dizer, entre meus "ais!",
que isso passa de crise de relacionamento.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Pois que de todo mal um bem se tira
e de todo bem um mal se faz.
Já nenhuma ação é pequenina
e nada se deixa para tras.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

mais um poeminha barato de um cizeiro transbordado de uma cinza tarde infame

e, de repente, tudo no que eu acredito
e no que um dia acreditei parece tão duvidoso,
tão desesperadamente inocente.

uma inocência forjada
falsa e superficial
mero subterfúgio
a quem a realidade já não basta

como quando alguém, que não suporta mais o quadjuvo,
se convence de que sua função é crucial

como alguém, farto da mesma historia sempre a se repetir,
tenta olha-la por outras cores

pois que não é fácil ver outra pessoa partir,
que não é fácil ver suas crenças outra vez falharem,
e outros dias como esse seram impossíveis
de sentir,
de suportar.

mas depois de um certo tempo
nem saberei mais como é isso,
até eu sentir novamente
mais outras nuvens tantas
pelos meus pulmões adentro
me congelando por inteiro.

espero que os próximos dias sejam de sol.




pois que nenhum mal é passageiro!
ele sempre estará lá, latente,
na espreita
de um dia nublado,
de um fim-de-semana pacato
ou de qualquer outra coisa
que te consuma um pedaço.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

poeminha de criança

porque hoje, minha maior ambição é não fazer nada
é sentir minhas mãos geladas,
sentir essa sensação de quase inverno.

sentir o sol quente e a brisa gelada bater na cara
e descaradamente assumir que hoje meu dia é dedicado ao completo nada
a pura contemplação dessa sensação meio nostálgica
essa sensação de que eu simplesmente, no correr dos dias, esqueci
que esperei o ano todo justo por esse dia.

isso não é outono,
o outono só existe naquele parque descuidado
bem pertinho dos plátanos dourados.

hoje é um dia único por si só,
inrotulável

porque hoje é o único dia do ano
em que minha infância volta de novo e outra vez.

domingo, 5 de abril de 2009

mas isso você nunca saberá.

Você sabe que essas bobagens que escrevo aqui
São só sussurros gritados no vento.
Eu berro!
E forte!
E mais forte!
Na esperança que chegue no teu ouvido,
Nesse teu ouvido surdo os berros de minha cabeça.

Essas interioridades primeiras a tudo,
Essas bobagens de aristocratas e cléricos intediados,
São os desvios de olhares que te dou
São aquelas olhadas não-correspondidas para as quais teus frenéticos olhos castanhos são cegos.

O que regurgito e por fim vomito nessas paginas brancas
Não são mais que minhas cabisbaixisses discretas que você não percebe,

Tudo isso que nem faz sentido à ti,
Todo esse embaralhado de letras tortas e garranxosas,
Não passam de nada pra você.

São meus gritos que você não ouve,
Meus olhares triste que você não vê,
Minhas cabeças-baixas que você não nota,

São meus choros que, de ti, escondo debaixo do travesseiro,

São minhas dores que você nunca conseguiria sentir,

São os temores que me afligem e que você nem conhece,

É essa mão que te ofereci pra afastar teu abraço,

É aquele beijo que neguei a ti quando me levou pela nuca até a tua,

É nada pra ti, e nem se assemelha, para ti, comigo,

É tudo que desconheces de mim,

É tudo que você nunca nem vai saber que faz parte de mim,
De mim, e não do fútil e forte EU que te mostro,
Por que eu sou profundo e frágil.

Mas isso você nunca saberá.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Com o tempo, eu escolhi ser invisível,
Um pouco mais raro,
Um pouco mais caro.

Ser menos simpático,
Ser mais apático.
Não é tão difícil se for parar pra pensar.

É bem mais simples.
Você não precisa esperar um sorriso em troca,
Porque você não sorriu.
Você não precisa receber nada
Porque você não deu nada,
Guardou tudo pra si.

É mais fácil assim,
Mais seguro.
Você começa a se ver mais inteiro,
Mais dono de si.

O problema é que chega um ponto
que se você quiser se doar a alguém,
um ponto em que se você quer amar alguém,
se que você quer ser amado,
você não consegue mais.

Chega um ponto que se você quiser voltar,
você descobre que não tem mais volta.


Yeah, Honey Pie
Not every day you get a blue sky.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

áh, por favor, cale a boca!

e voce lembra aquilo que chamam de amor?
a base de toda classica historia infantil,
aquela velha historia
coração apertado,nó na garganta, boca seca, tontura...

se é isso que quer, por favor, pite um cigarro.

o amor, aquele que vale a pena,
com lagrimas
mas com alegrias também
isso é estoria,
mídia pra vender sapatinhos de cristal.

e esses misters e misses saúde (que na realidade são uns viciados em esteroides e regimes absurdos) ainda querem inibir cada vez mais as publicidades de cigarros
pois pra mim...deveriam proibir é essas besteiras de contos de fadas e filmes hollywoodianos que nos prendem numa forma de vida ideal e irreal
isso sim faz mal a saúde.

bom...eu ainda prefiro os animais
mas vc há de convir,
o cigarro é uma alternativa interessante

e entre cancer de próstata e de pulmão
por mim...tanto faz.

domingo, 23 de novembro de 2008

Mais uma vez eu tomei o mesmo posicionamento
Mais uma vez optei pela soberania hipócrita que acabava por me afastar
Mas uma vez sedi ao medo de curvar e não receber um sim.
Porém outro o fez e o quadjuvo caiu sobre mim mais uma vez
Como em tantas outras incontaveis vezes
Tornei-me aquele garoto que jurava não ser mais a anos
Tornei o desajustado e acovardado moleque incapaz
Esperando que meu silencio traga palavras alheias
E como sempre...não trazendo nada de especial

E então que aflora toda a raiva que dentro de mim um dia já sonhei ter
Raiva contra todos aqueles que depositei minha esperança
Esperança de mesmo no meu silencio trazer-me o que eu desejava
E meus sonhos se vestem de traição
Até meus sonhos se desfiguram
E todos aqueles que até mesmo nunca tenham me faltado
Contornam-se de falsos, inimigos vis
Até quem mais amo, mais confio, porem que tenho medo de perder

Pois bem, outro se curvou
E por esse caminho meu desejado outro desejado tomou
E a mim restou o peso
Aquele já estou a me acostumar
Tentar sempre sair ileso
Quando o que mais quero é lutar para lograr

terça-feira, 11 de novembro de 2008

EuNãoAcredito!MasOQueIssoImporta?

Eu não acredito em uma palavra do que você diz ou disse
Simplesmente não acredito no "eu também te amo"
Com uma resposta necessária,
Nada expontânea,
Mera formalidade.

Mas confesso que ignoro,
Fecho os olhos,
Pois é melhor se convencer do mais afável
(e realmente há possibilidade dessa impressão ser só uma variante desfocada da minha mente)
Tudo é uma questão de ponto de vista.
É o que todos dizem.

Mas afinal, não sei bem se te quereria se tivesse completa certeza de tua paixão.
Não sei bem se não me acomodaria
Sem te dar valor nem atenção.
Não sei bem se não é melhor
Essa insegurançazinha que me faz te amar e te desprezar.
Que me faz te agradar
E me empenhar pra te fazer sorrir.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

ÀsPedrasNoCaminho.

Pois mais forte que sou,
não derrotado será meu desfecho.

E a eles que se riem da minha suposta incapacidade.
Todos os que condenam minha desnecessidade de alinhamento
nos padrões supérfolos e superficiais deles.

A esses coitados que não enxergam mais
Do que lhes é desenhado à ponta de seu nariz,

A todos esses que se limitam preguiçosamente ao que lhes é impresso à retina,
Ao verdadeiro entulho intelectual,
A esses "humildes" conhecedores de todas as verdades,

A esses abutres
Dos verdadeiros detentores da razão,
E de todas as infindas dimensões que ela pode ter,
desejo a agonia

Que seus olhos saltem das órbitas ao me verem a cima,
Que seus ouvidos sangrem ao ouvirem minha voz preponderar às deles,

E que suas mentes afoguem-se na insanidade torturante
Ao olharem para mim e verem tudo que nunca serão,
Verem tudo que nunca terão capacidade de ser,
Tudo que sempre fui
E que sempre eles desdenharam.


Pois ao contrario do que disse o poeta passarinho:
Eles tropeçarão
Ao tentarem atravancar o meu caminho.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

OlharParaTrás.

Mas e agora
Nas entrelinhas escondidas
As emoções sentidas
Percebo
O quão tu me tornei
E quão de mim deixei
Pelo preço de um sorriso

Não sei ao certo se aprendi
Ou se desaprendi algo
Mas sei que ao não saber ser eu mesmo
Eu era uno e infindável

Mas agora sou o fosco do que fui
E nada muito bom para ser

Momentos de pressão,
Me tiram de mim e tornam nada
E tudo me enraivece tanto,
Não mais me entristesse,

É tanta mudança...
Não enxergo mais nas folhas de outono
O que enxergava antes

As coisas são mais simples agora
É tudo tão mais básico
Mais desbotado
E em minha fotos improvisadas exagero na saturação,
Porém não vem compensação

E eu não sinto mais nada,
E essa é a questão.

Um poemista frígido à poesia
Que piada de mau gosto
Que ironia
Esse ano de dois mil e oito.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

AssimComoHoje.

Às vezes,
Um dia, assim preguiçoso,
É bom,
Mesmo que desconfortável

Deixa uma tristeza não muito triste,
Aquele teimosa vontade de permanecer no tédio
Mesmo odiando-o
Agoniante

Mas é bom ficar um dia assim, só pensando.
É bom, para que nos próximos dias, lembremos,
E assim, nos ocupemos ao extremo
Para nunca mais submeter-se à agonia
Que é pensar.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Aquele

Os macios lábios
Como se fosse agora eu lembro
Tão macios

E a tua mão ousada
Engana o tecido
Me toca
E eu sinto estar em lugar nenhum
Você, eu, mais nada
Com meu corpo arrepiado, rendido
Teu toque atravessa minha pele
Penetra fundo

E com a cabeça apoiada no meu corpo
Você me acaricia
E o teu beijo já me envolve por inteiro
E me leva daqui

É aquele meio beijo
Que você me deve o fim
Ele que me fará voar
Até você

Aquele beijo apressado, desencontrado
Ele me fará voar

quarta-feira, 2 de julho de 2008

EuLembro.

Eu lembro de cada passo,
Cada sentimento,
Cada pensamento que passou pela minha cabeça.

Lembro que pensei em não investir,
Um passei amigável somente,
Mas lembro que nossas opiniões não era iguais.

Lembro de tudo que me falou
E ainda me fala.
Tudo que me ensina.

Lembro da doçura dos teus olhos
Da pureza do teu sorriso
Do prazer do teu toque

Seu rosto lindamente entretido
Nos intervalos,

Lembro da tua boca macia,
Por mais que o braço da cadeira atrapalhasse.
Lembro da tua ousadia,
Tão descompromissada.

Lembro da tua mão delicada,
Do teu toque firme
E de tuas curvas provocantes.

Muita coisa, nem sabe,
Ousaria só com você
Sem muito motivo ou entendimento,
Simplesmente, só com você poderia ousar

Eu lembro
E sinto saudade.

domingo, 8 de junho de 2008

Inominável.

Eu não entendo o que nisso tudo pode ferir alguém.
Eu não entendo que mal eu faço aos outros pra que eles queram
- por causa de um detalhe -
que as coisas sejam completamente diferentes pra mim.
Não sei porque eles acham mau...
Não sei o que fazer pra fugir disso,
Nem há mais como
(pelo menos é o que eles dizem),
todos me abandonaram e as coisas só pioram.

Os juízes parecem me odiar...
Eles nunca entendem,
Eles não têm impatia pra tanto...
Eles simplismente não entendem
que nada disso é mais que amor...
e que tudo vira uma droga
porque eles escolhem ser assim.
Bitolados.
Simplismente me julgam sem maiores preocupações,
é só o que sabem fazer,
Julgar, apontar, descordar...
Nunca m,e estendem a mão verdadeiramente,
Sem nunca se importar com um bem vertdadeiro para mim
Mas só o que eles consideram bem!

E a vítima acaba sendo eu...
E eu não sei o porque...
não sei o que fazer pra fugir de tudo isso.

Eu tenho medo,
O medo que eles plantaram em mim
E que é a garantia da minha infelicidade.
Uma vida solitária ou uma vida aparentimente com amigos e amores?
Nem sei se é aparente ou realmente,
Eles implataram em mim a idéia de que tudo isso é falso,
Mas eu não posso mais me guiar por eles,
Somos de mundos diferentes agora
E as leis deles não surtem efeito sobre mim
(nunca surtiram verdadeiramente).

E eles ainda acham que é tudo uma opção minha.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

MePerdoe.

Me perdoe,
Por favor,
Se tenho coragem de fazer
O que lhe dá medo
O que sua coragem não alcança

Se, por acaso, ouso fazer
Aquilo que suas normas freiam
Aquilo que seu pseudo-bom-senso acorrenta

É exatamente o que me dá vontade
Desafia
E excita

segunda-feira, 19 de maio de 2008

NãoSeFazNecessárioDestinatário!

Nem sei como dizer.
Você... é você
E não existe elogio maior que esse.

Se um dia alguém for especial,
Ou se eu quiser dizer que realmente é incrível
Ou admirável,
Se um dia tiver que chamar alguém de perfeita
Não ia ter jeito melhor que chamar de Bs.

domingo, 27 de abril de 2008

mecânicaBemIgnorante.

Isso nunca me saciou
Isso nunca me fez feliz
Mas eu insisto no plástico sintético dos botões,
(embora não com tanta vontade)

Eu insisto no erro e o cometo mais e mais vezes...
Sem ter razão lógica.
Agora, tolo eu sou,
Mas sei de tudo isso
E sei que faz mal
E sei que me incomoda
E sei que não desejo a mim
Nem a outro.

Ao menos ignorante não sou.

Porém, os motivos rotulados,
Embora proclamáveis,
Não me servem de nada,
Não ainda,
Enquanto não passarem de palavras más.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

aquiNesseQuarteirão

Não olha para trás. O sábio bem sabe,
a amnésia é o alívio do pensante.
Detém-se a esses poucos metros a frente e os torna os mais agradáveis que puder.
Esquece-te da próxima esquina, ela ainda nem existe pra ti.
E diferentemente de Elvis, Nostradamus já morreu.
Por mais que falem, por mais que digam,
Não há rota perfeita em mares virgens.
Na esquina seguinte, acredite, há mais medo do que sofrimento.
Então não te importa, não teme, nem olha.
E menos ainda olha pros teus pés.
Olha pra cima, pro céu. Pois nele te verás.
Sempre ali, sempre igual,
mas sempre diferente e incessantemente em movimento.

âmagoDaQuestão.

Na realidade, a passividade de minhas atitudes está nesse entrave.
Pois sem ele, com certeza, muitas coisas eu faria mais, sem pensar duas vezes.
E que coisas eu deixaria de fazer?
Hesitar seria uma delas.
Algo que, ao me ver, nesse dado momento, não me vem em benefício, esse entrave.
Muito pelo contrário.
Se é no entrave que está minha passividade, é na passividade que encontra-se minha frustração.
E ainda me pedem mais. Exigem, por assim dizer. Com esses pratos em ponta de varetas, ainda querem que eu faça mais. Caso contrario, me repreende.
E manipulam-me, pois até minha mente já me pune.
Mas como escapar de regras e linhas traçadas desda infância ou antes.
A questão é, seguindo minha dedução (pois nenhuma mais lógica me foi verdadeiramente apresentada), livrando-me do entrave, livro-me da frustração.
Sei bem que isso é hipocrisia.
Mas ao menos com um dos motivos de frustração eliminado, ficará mais fácil combater outros.
Alias, sendo esse o mais forte e confuso dos impasses, creio eu que seria até suportável conviver com as outras 'situações'.
Mas como já foi dito, regras foram marcadas à ferro em brasa, desde pequenino.
Logo, descumprindo-as, a voz de meus pais...e os medos e receios estimulados por eles em minha infância, ressoam em minha mente, portanto, hesito novamente.

E então, aquela luzinha teimosa muitas esperanças não tem mais.
Aquela vibração juvenil de felicidade e entendimento,
aquilo que por um segundo, foi a materialização do consciência de onde eu estava realmente e do que eu poderia ou queria fazer, ou sentir, ou do que verdadeiramente gosto.
Aquilo?
Se foi. Como a luz de um vagalume, esbofeteado em meio a noite escura.
Então me vejo, novamente na escuridão.
E ainda teimoso espero outro vagalume,
torcendo para que o próximo agüente a pancada.

Volubilidade, manipulação, cobranças, frustração e desorientação.
Não era bem assim que meu avô falava da mocidade.

sábado, 19 de abril de 2008

é sabado e já to assim : /

Eu preferia quando as coisas eram mais simples, menores, menos arriscadas.
Agora tudo eh uma eterna corrida em que nós estamos sempre para trás.
As coisas podiam ser um pouco melhores, quem dera tirar umas ferias, uma semana q seja, disso tudo, desse turbilhão que não sessa, nunca para.
E se você, iludindo-se, espera que ele pare, você acaba numa posição pior que antes.
As coisas não são bem como eu queria.
As pessoas não sentem o mesmo que eu. Amor de fim de semana, ou nem isso, sábado a noite mesmo.
Não. Não é bem assim que quero as coisas pra mim.
Essas pessoas, desapegadas de emoções, não sabem bem o que querem numa noite, um amor, acho q sabem q não o terão.
Mas dificilmente, sabem menos o que querem do que eu.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

masAmanhã.

Você pode dormir agora,
Você pode sonhar agora.
Mas amanhã, baby
Amanhã você vai ter de acordar.

terça-feira, 15 de abril de 2008

O inverno.

É um afago nos cabelos,
Um cafuné.

É o gosto de um doce materno
E uma xícara bem quente de café.

É macio e ocioso
Um descanso que nada tem haver com cansaço

É lento e prazeroso
Não carrega a exaustão do mormaço.

Mas podemos, assim, dizer
Que o inverno é tolo e acomodado.
E que mal pode trazer
Estar quatro meses atrasado?

inicinho de tarde.

Esse céu azul preguiçoso, bem do inicinho da tarde, me enche de nada.
e parece que, por um estante, esqueço de tudo.

Olho pra essa folha preguiçosa,
que o vento embala,
bem lentamente
e lembro de nada.

Esse nada tão dengozo
que dá vontade de olhar eternamente
pra azul do céu...pro verde da folha.

Pra sempre...
enquanto o meu tudo não passar de um céu azul
e uma folha pendente.

domingo, 13 de abril de 2008

masRápido.

Corra! Corra!
Porque eles vão te alcançar

Corra!
Porque eles vão te capturar,
Te cessar,
Te deter

Corra!
Mas corra rápido!
Abra, Estique bem as pernas!

Porque eles têm passos miúdos
Eles nunca vão te alcançar!

masCorra.

Faça uma tocha de sua camiseta preferida
Ponha o gato de sua avó no microondas
Ainda podemos!
Ainda somos crianças!

Brinque com um cachorro de rua
Conte uma piada para um mendigo
Ainda há tempo!
Ainda não somos adultos!

Mas corra!

aiVó.

Ai, .
Se tu soubesse
Que o filosofo inda reside
No peito pequeno e infantil do teu neto

Se soubesse que ainda muita coisa tenho para falar e contrapor
Que coisas tantas ainda enchem aquela cabeça de cabelos ralos

E muitas coisas mais, com o espichar das pernas,
Resolveram servir-me de questionamento...

Diferentemente dos doces e tolos conhecidos pela senhora
Esses, creio eu, nem a senhora compreenderia

São tantas coisas, Vó
Que queria lhe contar

Tantas vezes, no natal,
Senti falta, sem saber bem do que,
Hoje eu sei que este vazio
Era o deixado pelo seu sorriso.
E procurar não adiantava,
Ele não volta, né, Vó?

É tão estranho, Vó
Não tinha eu nem preenchido duas mãos de idade,
E mesmo assim, não derramei uma lágrima,
É tão estranho, que agora, homem feito,
Meus olhos marejem ao pensar no seu sorriso.

Ai, Vó
Eu bem sei,
Perfeita Ninguém é
Mas se alguém, um dia, foi capaz de ser quase perfeita
Foi a senhora, Vó Nita

terça-feira, 1 de abril de 2008

MeusRemendos.

Era um garoto franzino,
perdido dentro de uma japona enorme.

Era mirrado,
Tolo menino,
Era errado também.

Seu doces olhos de chocolate
Faziam volume em seu rosto redondo.
A combinar com seus dentes frontais,
Inocentemente quadrados.

Sua sobrancelha ainda pouca,
seus lábios ainda delicados e miúdos.

Calçando um sapatinho minúsculo,
Ele parecia um pouco engraçado até.

Vestiram-no da cor da madeira.
Enterrada em sua cabeça,
Uma boina enjuadamente carmim puseram.

Chamaram-no de mentiroso,
Muitas vezes,
Era verdade.

Era um garoto,
Para que gritar?

Ele aprendeu, num mundo de feras,
A remendar os rasgos,
Porém, eram remendos tolos e desajeitados de uma criança.

Fizeram-no ser firme,
Demonstrar superioridade,
Mesmo que sem necessidade.

Puseram-no estático,
Por mais que cansado,
Puseram-no sob sol,
No calor.

Chamavam-no de homem,
Era só uma criança.

Num dia quente porém,
O miúdo menino,
Vestiu-se de gigante.
Seus olhos teimosos miraram,
Entre os raios de sol,
Acima da muralha.

Ele pode ver,
Haviam coisas.
Haviam diferença e respeito,
O vermelho, lá, parecia suave bonito.
Ninguém fingia ser mal
Ou melhor que ninguém.

O garoto franzino,
Ainda é pequeno,
Ainda se sente só,
Ainda se sente diferente.

Ele já viu muita coisa,
Coisas que nem imaginava existir.
Fora das muralhas,
Ele viu muita coisa colorida,

Mas viu também,
O que não podia ser visto
Por cima daqueles muros.
Viu coisas cinzentas,
Viu pessoas muito parecidas
Com as que viviam entre as muralhas.

Ele nunca entendeu muito bem
Porque as pessoas fazem coisas ruins,
Porque batem
Em quem poderiam afagar.

Agora,
O menino é um pouco maior,
Calça uns números a mais.
Truque do tempo.
Ele não passa de um menino franzino
Com sapatos maiores,
Que não cansa de acariciar
Os desníveis de seus defeituosos remendos infantis,

Esses,
Ele sabe bem,
Não são fáceis de se rebordar.

FrutoCO2.

E é assim que me iludo
É assim que finjo estar vivendo

Às vezes, eu sei viver
Eu consigo,
Mas não sempre.

Nesses momentos,
Eu sou insensível.
Eu sou uma pedra,
O tato me abandona,
Meus olhos não vêem,
Meus ouvidos não ouvem
E minha boca,
Ela fala qualquer coisa plástica,
Uma reles ignorância, uma alienação sem fundamento,
Nada que eu não pudesse dizer, ficando calado.

Por favor! Não necessito de tanto, certo?
Não preciso de muito para ser feliz, não é mesmo?

Por hoje sou um lago raso,
Um boneco inflável,
Um saco de pedregulhos.
Sou tudo,
Tudo de que pior essas coisas possam ser.

Hoje nada sai de mim,
Nada melhor que um inútil CO2.

domingo, 30 de março de 2008

Hipocrisia Androideana.

Diz-me tu
Quanto de ti é morte
Quanto de ti é vida.

Diante da luta te veste de forte?
Ou ajoelha-te diante da maldade erguida?

Podeis expor com exatidão?
Sem nós na garganta
ou contradição?
Teus olhos encobrem quanta tormenta?

Tua imponência não me confunde
Existiria tão andróide indivíduo?
Viver e sonhar sem nunca ser ferido?
Nem a ti mesmo teu pedestal ilude.

Tuas cicatrizes e marcas podem ser bem maquiadas
Tua mascara de látex pode te convir
Mas não há dor nos teus ombros depositada
Que outro coração humano já não fez sentir

Podes tu amar?

Dizes-me muitas coisas
Se podes tu amar
Ama-me por inteiro
Só assim poderei eu
Sentir tu verdadeiro

O que vão pensar?

Bom dia, Telésforo!

O que sobrou de você depois de tudo isso?

Esqueça, Teo, você não sabe hibernar ainda. Embora quisesse e talvez pudesse, mas sabe que não
é o caso.

Pequeno Teo, as coisas andam difíceis, parece que só você conhece esse lado, menino. Quem dera
Você lutasse, quem dera ter certeza do mal que há de se enfrentar.

Ó céus, garoto, você vai acabar se suicidando. Afinal, o que quer você? O que espera da vida? Até
que ponto a encruzilhada pode te fazer decepcionado e triste?

O que te trás alegria, menino? Você ainda se lembra do que gosta, do que é? Alegria, lembra-se?
Você ama alguém, Teo? Será que você esqueceu como amar? Será que você esqueceu a importância do amor?

Essa noite você nem dormiu. Essa manhã você nem tinha pelo que acordar.

Não! Não, pobre Teo. Não se mate!

Não seja bobo, olhe tudo a sua volta! Há tanta coisa, tanta coisa que você não alcança! Você é tão
fraco, criança, tão limitado. Pobre menino. Você é tão capaz, apenas não faz idéia. Você é tão frágil, tão incompreendido, tão exigido!

Ah, garoto. Você nem se lembra pelo que viver.

Não se mate, moleque! O que vão pensar?!

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Uma Cabeleira Alá Beatles.

Foi alguém, assim sem importância, como alguém a quem se pede as horas na rua.
Foi assim que conheci alguém, sem nem perceber que conhecia.

Um motivo bem besta, com uma pitada de preguiça de vasculhar.
Alguém a quem pedi umas imagens de uma banda antiga para pendurar na parede.

Ele se chamava Ringo, pelo menos assim que estava escrito ao lado de uma foto em preto e branco, antiga, de um homem de bigode e cabeleira alá Beatles.

Então, foi por tal pretexto sem grande fundamento que comecei uma conversa, a primeira e a de menos graça de muitas outras ótimas que viriam.

Sem perceber, ele me contou o de pior que ele tinha. O de melhor, não foi preciso, pois descobri, pouco a pouco, a cada linha que ele me escrevia.

Pensei realmente que não existisse ninguém que visse o que eu vejo, do jeito que vejo.
As semelhanças e coincidências, foram me mostrando, a cada dia, que realmente valeu a pena pedir aquelas imagens em preto e branco de um completo desconhecido, que eu conhecia mais do que imaginava.

E nele compreendi tudo, assim como eu esperava de um amigo, um irmão, ele fez o mesmo. E as partes mais assustadoras de nós mesmos, quando contadas um ao outro, não nos espantavamos, riamos. Afinal, aquilo já era tão cotidiano e tão reservado a nós que chegava a ser engraçado pertubar alguem que não nós mesmos.

E sentimos as mesmas coisas, as mesmas crises (peculiares de quem pensa), os mesmos gostos musicais, e os filmes que não esquecemos são os mesmo também.

Como pode tanta igualdade?
Temos nossas diferenças, mas elas não são necessárias citar. Se a tanto em comum, pra que menciona-las então?
Afinal pra que discordar nas pequinesas inúteis quando concordamos em coisas tão maiores?

Não me pergunte o porquê ou razão, mas sei que conhecer alguém tão parecido a mim mesmo, por mais que não me traga respostas, me faz um bem que ainda não sei descrever em grafia e tinta.

Sem Mais Rebusques, A Indignação.

Perdi um amigo,
que nunca tive.

E é isso que não me deixa entristecer nisso tudo.
Fui fiel aos meus princípios e ao meu ponto de vista, ao menos uma vez, sem medo de desapontar ou não, alguém que provavelmente não sentiria um só nó na garganta caso eu morresse amanhã.
Divagações têm de ser curtas, disso eu sei. Mas na dada ocasião, fiz mais que questão de ignorar tal básica regra.

Vejam só, ignorante, ele quis me mostrar que no meio de gente podre pode-se ser feliz.
Não, não é falta de filosofia que me faz dizer que sou mais ou menos feliz por estar aqui ou ali.
E isso nem mesmo vem ao caso.
Ao que me refiro é algo menos polêmico.

Essa criatura, que acredito ter uma visão bidimensional, tridimensional seria até muito pra ele. Esse ser teve coragem de argumentar que se pode ser feliz mesmo passando a vida tentando pisar nos outros, e sendo pisado, ao mesmo tempo.
Por favor, é nessa linha de indignação mais do que de pensamento, e na falta de uma boa leitura a mais de semana que escrevo isso sem nenhum interesse de ser eloqüente ou melódico. Creio que seria pior que o meu 'caro amigo', se com tal intenção tivesse escrevendo algo mais desconexo e sem fim ou inicio do que isso.

Mas o caso, sem muito mais enrolação, o verdadeiro centro da indignação, é a pergunta que me atormenta.
Como um ser pensante pode se considerar feliz vivendo no lixo, no meio de ratos e porcos??
Isso seria absurdo e não atormentador, se não fosse o fato do tal sujeito acreditar que sendo lixo, sendo um rato, um porco, pudesse ser feliz.

Isso pode ser aceitável pra alguém, em algum lugar, que não seja meu ex-colega de argumentações.

Mas sinto muito, meu 'caro amigo',
é sem pesar algum que lhe digo adeus.
Minha empatia não chega a tanto.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Depressão Dedutiva.

Quando estou triste
Quarlquer alegria
Mais me intristesse
Alguns chamam isso de inveja.
É horrível ser dominado por isso,
Ser servo desta coisa.

E o pior é que sei como me livrar disso,
Ao menos na teoria,
Esse é o meu apelo.
Mas quantas pessoas sabem que
Não podem beber
E mesmo asssim bebem?

Sabemos o que nos alegra,
Sabemos oque podemos fazer
Para isso passar
Mas ainda assim insistimos nesse estado.
Acho que isso é uma espécie de vício também.

Você me acharia louco
(quem sabe você até tenha razão)
pois tenho a impressão que
reside algum prazer nisso,
Não sei bem,
Uma vontade de não se recuperar do choramingo.

Pois bem, sou demente então.
Essa demência sou eu quem carrega.
Mas talvez já esteja fazendo muito peso.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Prece.

Você
Que eu não sei se foi nomeado
Que não sei donde surgiu
Ou se não passa de mais um pobre desgraçado
Que de tal tarefa o destino o incumbiu

Não sei se foi doutrinado
Pelo bem ou pelo mal
Ou se acaso existe fora de meu universo mental

Peço a você,
Pois mais rebusques não acho necessário,
Não a uma criatura que não mais se vê,
Por mais que as bocas de ti façam uso diário.

Na incerteza de sua existência,
Ou se lhe interessa minha prece,
Ou se ainda tem alguma influência
Sobre a humanidade que aqui padece.

Peço agora sem mais rodeios
E na ausência de termos meios

Dai ao fraco a ignorância,
Cruel seria dar o saber
A quem não o pode seguir sem temer
A dor do caminho e da distância.

Dai ao forte a sabedoria,
Expor à ignorância um ser capaz,
Catastrófico seria,
Só traria desgraça a todos os demais.

E dai ao pobre desgraçado,
Ao que permanece desclassificado
Entre sábio e ignorante.
Dá-lhe garra e um destino altivo
Pois tal medíocre, sem nenhum motivo,
Permanecerá vagando errante.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Atrás de Teus Olhos.

Não importa a dor que te abate,
O pintor que te retrate.
O que importa é o que se esconde
Atrás de teus olhos.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Aos 40.

E se eu dissesse que tudo que conquistei,
Tudo pelo que batalhei
Não tem valor algum?

O dinheiro não me fez mais feliz
Eu continuo sendo aquele adolescente
patético e solitário

Mas que no lugar de incertezas
Tem a certeza de uma vida fracassada,
sem esperanças mais

Escrevo isso aos meus 40 anos
Estou envelhecido,
Sem nada pelo que viver
Nem niguem
Ainda vivendo a vida dos outros
E esquecendo da minha

Fiz uma escolha
Entre duas trilhas muito parecidas
Mas completamente opostas

Passaram-se quase duas décadas
E continuo a sentir aquela dor sem machucado
Aquela dor de quem não arrisca
Aquela dor pós-não-batalha

A dor do covarde
A dor do medo
A dor do arrependimento

Tarde demais.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Cortez Gentilesa.

Na incapacidade de ser adolescente,
nessa falta de aptidão para ser feliz,
faço-me vil residente
da tristeza pelo que não fiz.

Essa tristeza que não tem nome
que mais se assemelha a fome,
ambição eterna
daquilo que nossa mão ainda não governa.

A carência dela é franca.
Não deseja matar.
Não deseja para seu par a forca.
Só deseja amar
a quem não seja tão forte,
a quem sua mão segurar persistente.
Cônjuges eternamente.
Unidos além da morte.


No vazio,
a tristeza gentil
oferece a sua companhia
aos que vagam sem guia.

domingo, 6 de janeiro de 2008

Mata e Carrega


É essa certeza incerta
que me mata e carrega.



O Que Basta.

Descobri que não é só de suor que faz o homem.

Descobri que as coisas mais difíceis de fazer
não são ensinadas na escola.

Descobri que as escolhas não se limitam
à bifurcação entre o certo e o errado.

Descobri que o que torna um homem inteligente
é saber escolher o caminho certo
sem ter placas,
sem nem mesmo existir um.
É saber escolher o seu próprio melhor caminho,
é ter certeza da sua própria verdade.
Sem ser cegado por medos,
por comodidades.
É largar-se ao léu,
não com a exata certeza de ser o melhor caminho,
mas sim o desejado,
sem distorções covardes.
O caminho que lhe fará mais feliz,
onde se sentirá inteiro,
sem vontades reprimidas,
sem sentimentos sufocados,
sem movimentos calculados.

Dividido ao meio,
como saber que parte de mim quer ir para
o lado que eu quero?
Como fundir água e óleo?


Saber o que quer é o que basta ao homem, é o que basta à mim.

sábado, 5 de janeiro de 2008

Grato Murmúrio.

Por pretensão nomeei o inominável.
Sem forma, cor ou odor,
me toma pelo pescoço,
me prostra de pé.

Possível delírio,
possível insanidade,
possível ilusão.

Seus gestos ligeiros
transformam minhas vis emoções em muletas de tinta,
meu cansaço em força,
meu suor em garra,
pedrisco em pérola.

Me ilude.
Torna o pior de mim em algo belo,
que constrói,
que me sustenta.
A ti me agarro no tropeço, Prestidigitador.

Obrigado, seja o que for.

Poeira do Vento.

Pois quando tenho folga de tempo,
quando não tenho nuvem na mente,
é quando não tenho nada para dar.

A sombra do coqueiro é a musa mais fútil,
idéias vazias e sem nexo é o que me sobra.

É na tormenta que minha mente brilha.
É no turbilhão do reflexo, ato-resposta,
que minha emoções afloram,
que a fumaça esbranquiçada escapa por meus poros.
Não pela minha vontade,
nem por oposição a ela.
É simplesmente um fenómeno incompreensível à minha mente,
o Prestidigitador.

Na certeza da reta sou interceptado.
Com os olhos retos no horizonte sou escolhido.

Mas quando vago sem lado,
de olhar inclinado,
não passo de nada,
não sirvo para nada,
a poeira do vento à sombra de um coqueiro.

Citações NÃOminhas.

"Em parte eu penso que quero isso,
e em parte penso que não quero.
Mas se a parte que pensa que não quero
esteja só com medo?"

"Ser ou nao ser?
Eis a questão."

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Dedução Nada Poética.

Senti hoje uma falta de sentido nas minhas ações.
Eu, mergulhado num ócio deprimente, com esse sol fora,
por apenas medo do que me espera do outro lado da janela.
O tempo passou, não somos mais crianças, as coisas são vistas de outro ângulo agora.
não há muitos lados pra correr. A minha escolha foi correr para lado nenhum.
Pior que enlouquecer em meio aos livros ou entrar em coma alcólico
É não ser o melhor de todos e nem mesmo o pior.
É sentir que tudo é pela metade, que nada dá vontade,
É perceber que o tempo passa porque assim já lhe é de costume.
Já li grandes coisas, descobri o grande segredo da felicidade.
Mas sou fraco demais ou melancólico demais para -lo em prática.
Ou esqueci como é bom se sentir feliz.

Agora sei porque poetas pertenciam à nobreza.
Agora sei porque os velhinhos carregam tanta tristeza.
O ócio é sim o precursor da melancolía.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Percalços de Batalha.

Nesses tempos difíceis, os nemateomintos e os senos secam a poesia, estafam o poeta.
Agora o poeta pede repouso e a poesia espera chuva,
percalços de batalha.
Não há ao que dedicação não baste,
por mais acre que seja o suor.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Transponivel.

Entre meus sonhos e minha realidade
Entre minha potência e meu ato
Aquí estou, entre o que faz bem
E o que dá vontade.

E agora
Quando estou mais perto que nunca,
Na reta final,
Não há mais nada que tenha valor,
Não há propósito maior
Que o meu!

Esqueço os limites,
Fecho os olhos,
A sede não me retarda,
Não sentir minhas pernas
Já não me pára mais.

Eu faço parte do vento agora.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Gana Infantil.

Queria certeza..
na qual me agarrasse...
pra na asperaza
controle eu tomasse.

Queria um sorriso tranquilo
de uma mae admirada
um mudo consolo
para uma mente cansada.

Queria aulas de bola
de um pai orgulhoso
que me irrompensse na escola
do coadjuvo ao oneroso.

Queria um amigo do peito
de um grupo unido,
que nao me apontasse defeito,
onde fosse querido.

Queria ser mais cheio
ou mais vazio
nao tanto termo meio
aquilo que nao definiu.

Pricipio parcealmente seguido
Família parcealmente sentida
Amigo parcealmente unido
Vida parcialmente vivida.

Tique.

e aquí... na penumbra,
a perciana já vencendo a claridade,
estou...com meu velho tique nervoso
de passar os labios nas costas da mão,
na falta do teu beijo.
Espero que um dia venhas.

taNta.

Oh, passarinho chato!
Que não cala na varanda da vizinha!

Nesses tempos..de suor e luta...
não é fácil ter bons ouvidos para os ruídos.
não é fácil tê-los nem para sonatas.

É tanta coisa...é tanta coisa...
que me perco as vezes...nos meus pensamentos...
É tão melhor, absorto,
ser dono do seu destino

Mas então a caturrita esganiça
e percebo que estou atrasado..
mais do que antes...
já pra amanha...
pois o sono não vem!

E ao que menos me assemelho
é a dono de destino algum.

Mas hoje nada é macio e calmo,
todo deslize parece absurdo
e tudo que escrevo parece lixo.
É lixo!

Maldita caturrita!!

domingo, 11 de novembro de 2007

Prima minha.

Te sinto inteira aqui, Primavera
Quem dera sentir só tu o ano inteiro

Teu Sol, energia e calor
Tua Brisa, frescor e paz
Quem dera sentir só tu o ano inteiro

Mas não me deprimo
Sei que em um ano,
Depois das chamas, da brasa e das cinzas,
Tu renasces, Prima minha.



11 de novembro, 2007

Esse Lugar.

Descobri que amo a Natureza.
Tive que sair dos parques da capital
Para realmente apreciá-los

Vim para o interior
E vejam só,
É aqui que não se aprecia árvores

Mas meu refugio é o subúrbio abonado
Aqui a primavera inda resiste ao definho
Até os segundos assam agradavelmente ociosos

Encontro, aqui, a minha casa de campo,
A minha casa da praia
Onde tudo exala tranqüilidade

Aqui não tem a minha cara
Esse lugar não carrega meus gostos,
Nem minhas manias ou preocupações

Aqui só existe esse momento.



11 de novembro, 2007