quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Prece.

Você
Que eu não sei se foi nomeado
Que não sei donde surgiu
Ou se não passa de mais um pobre desgraçado
Que de tal tarefa o destino o incumbiu

Não sei se foi doutrinado
Pelo bem ou pelo mal
Ou se acaso existe fora de meu universo mental

Peço a você,
Pois mais rebusques não acho necessário,
Não a uma criatura que não mais se vê,
Por mais que as bocas de ti façam uso diário.

Na incerteza de sua existência,
Ou se lhe interessa minha prece,
Ou se ainda tem alguma influência
Sobre a humanidade que aqui padece.

Peço agora sem mais rodeios
E na ausência de termos meios

Dai ao fraco a ignorância,
Cruel seria dar o saber
A quem não o pode seguir sem temer
A dor do caminho e da distância.

Dai ao forte a sabedoria,
Expor à ignorância um ser capaz,
Catastrófico seria,
Só traria desgraça a todos os demais.

E dai ao pobre desgraçado,
Ao que permanece desclassificado
Entre sábio e ignorante.
Dá-lhe garra e um destino altivo
Pois tal medíocre, sem nenhum motivo,
Permanecerá vagando errante.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Atrás de Teus Olhos.

Não importa a dor que te abate,
O pintor que te retrate.
O que importa é o que se esconde
Atrás de teus olhos.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Aos 40.

E se eu dissesse que tudo que conquistei,
Tudo pelo que batalhei
Não tem valor algum?

O dinheiro não me fez mais feliz
Eu continuo sendo aquele adolescente
patético e solitário

Mas que no lugar de incertezas
Tem a certeza de uma vida fracassada,
sem esperanças mais

Escrevo isso aos meus 40 anos
Estou envelhecido,
Sem nada pelo que viver
Nem niguem
Ainda vivendo a vida dos outros
E esquecendo da minha

Fiz uma escolha
Entre duas trilhas muito parecidas
Mas completamente opostas

Passaram-se quase duas décadas
E continuo a sentir aquela dor sem machucado
Aquela dor de quem não arrisca
Aquela dor pós-não-batalha

A dor do covarde
A dor do medo
A dor do arrependimento

Tarde demais.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Cortez Gentilesa.

Na incapacidade de ser adolescente,
nessa falta de aptidão para ser feliz,
faço-me vil residente
da tristeza pelo que não fiz.

Essa tristeza que não tem nome
que mais se assemelha a fome,
ambição eterna
daquilo que nossa mão ainda não governa.

A carência dela é franca.
Não deseja matar.
Não deseja para seu par a forca.
Só deseja amar
a quem não seja tão forte,
a quem sua mão segurar persistente.
Cônjuges eternamente.
Unidos além da morte.


No vazio,
a tristeza gentil
oferece a sua companhia
aos que vagam sem guia.

domingo, 6 de janeiro de 2008

Mata e Carrega


É essa certeza incerta
que me mata e carrega.



O Que Basta.

Descobri que não é só de suor que faz o homem.

Descobri que as coisas mais difíceis de fazer
não são ensinadas na escola.

Descobri que as escolhas não se limitam
à bifurcação entre o certo e o errado.

Descobri que o que torna um homem inteligente
é saber escolher o caminho certo
sem ter placas,
sem nem mesmo existir um.
É saber escolher o seu próprio melhor caminho,
é ter certeza da sua própria verdade.
Sem ser cegado por medos,
por comodidades.
É largar-se ao léu,
não com a exata certeza de ser o melhor caminho,
mas sim o desejado,
sem distorções covardes.
O caminho que lhe fará mais feliz,
onde se sentirá inteiro,
sem vontades reprimidas,
sem sentimentos sufocados,
sem movimentos calculados.

Dividido ao meio,
como saber que parte de mim quer ir para
o lado que eu quero?
Como fundir água e óleo?


Saber o que quer é o que basta ao homem, é o que basta à mim.

sábado, 5 de janeiro de 2008

Grato Murmúrio.

Por pretensão nomeei o inominável.
Sem forma, cor ou odor,
me toma pelo pescoço,
me prostra de pé.

Possível delírio,
possível insanidade,
possível ilusão.

Seus gestos ligeiros
transformam minhas vis emoções em muletas de tinta,
meu cansaço em força,
meu suor em garra,
pedrisco em pérola.

Me ilude.
Torna o pior de mim em algo belo,
que constrói,
que me sustenta.
A ti me agarro no tropeço, Prestidigitador.

Obrigado, seja o que for.

Poeira do Vento.

Pois quando tenho folga de tempo,
quando não tenho nuvem na mente,
é quando não tenho nada para dar.

A sombra do coqueiro é a musa mais fútil,
idéias vazias e sem nexo é o que me sobra.

É na tormenta que minha mente brilha.
É no turbilhão do reflexo, ato-resposta,
que minha emoções afloram,
que a fumaça esbranquiçada escapa por meus poros.
Não pela minha vontade,
nem por oposição a ela.
É simplesmente um fenómeno incompreensível à minha mente,
o Prestidigitador.

Na certeza da reta sou interceptado.
Com os olhos retos no horizonte sou escolhido.

Mas quando vago sem lado,
de olhar inclinado,
não passo de nada,
não sirvo para nada,
a poeira do vento à sombra de um coqueiro.

Citações NÃOminhas.

"Em parte eu penso que quero isso,
e em parte penso que não quero.
Mas se a parte que pensa que não quero
esteja só com medo?"

"Ser ou nao ser?
Eis a questão."