Você
Que eu não sei se foi nomeado
Que não sei donde surgiu
Ou se não passa de mais um pobre desgraçado
Que de tal tarefa o destino o incumbiu
Não sei se foi doutrinado
Pelo bem ou pelo mal
Ou se acaso existe fora de meu universo mental
Peço a você,
Pois mais rebusques não acho necessário,
Não a uma criatura que não mais se vê,
Por mais que as bocas de ti façam uso diário.
Na incerteza de sua existência,
Ou se lhe interessa minha prece,
Ou se ainda tem alguma influência
Sobre a humanidade que aqui padece.
Peço agora sem mais rodeios
E na ausência de termos meios
Dai ao fraco a ignorância,
Cruel seria dar o saber
A quem não o pode seguir sem temer
A dor do caminho e da distância.
Dai ao forte a sabedoria,
Expor à ignorância um ser capaz,
Catastrófico seria,
Só traria desgraça a todos os demais.
E dai ao pobre desgraçado,
Ao que permanece desclassificado
Entre sábio e ignorante.
Dá-lhe garra e um destino altivo
Pois tal medíocre, sem nenhum motivo,
Permanecerá vagando errante.
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