quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Uma Cabeleira Alá Beatles.

Foi alguém, assim sem importância, como alguém a quem se pede as horas na rua.
Foi assim que conheci alguém, sem nem perceber que conhecia.

Um motivo bem besta, com uma pitada de preguiça de vasculhar.
Alguém a quem pedi umas imagens de uma banda antiga para pendurar na parede.

Ele se chamava Ringo, pelo menos assim que estava escrito ao lado de uma foto em preto e branco, antiga, de um homem de bigode e cabeleira alá Beatles.

Então, foi por tal pretexto sem grande fundamento que comecei uma conversa, a primeira e a de menos graça de muitas outras ótimas que viriam.

Sem perceber, ele me contou o de pior que ele tinha. O de melhor, não foi preciso, pois descobri, pouco a pouco, a cada linha que ele me escrevia.

Pensei realmente que não existisse ninguém que visse o que eu vejo, do jeito que vejo.
As semelhanças e coincidências, foram me mostrando, a cada dia, que realmente valeu a pena pedir aquelas imagens em preto e branco de um completo desconhecido, que eu conhecia mais do que imaginava.

E nele compreendi tudo, assim como eu esperava de um amigo, um irmão, ele fez o mesmo. E as partes mais assustadoras de nós mesmos, quando contadas um ao outro, não nos espantavamos, riamos. Afinal, aquilo já era tão cotidiano e tão reservado a nós que chegava a ser engraçado pertubar alguem que não nós mesmos.

E sentimos as mesmas coisas, as mesmas crises (peculiares de quem pensa), os mesmos gostos musicais, e os filmes que não esquecemos são os mesmo também.

Como pode tanta igualdade?
Temos nossas diferenças, mas elas não são necessárias citar. Se a tanto em comum, pra que menciona-las então?
Afinal pra que discordar nas pequinesas inúteis quando concordamos em coisas tão maiores?

Não me pergunte o porquê ou razão, mas sei que conhecer alguém tão parecido a mim mesmo, por mais que não me traga respostas, me faz um bem que ainda não sei descrever em grafia e tinta.

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