Era um garoto franzino,
perdido dentro de uma japona enorme.
Era mirrado,
Tolo menino,
Era errado também.
Seu doces olhos de chocolate
Faziam volume em seu rosto redondo.
A combinar com seus dentes frontais,
Inocentemente quadrados.
Sua sobrancelha ainda pouca,
seus lábios ainda delicados e miúdos.
Calçando um sapatinho minúsculo,
Ele parecia um pouco engraçado até.
Vestiram-no da cor da madeira.
Enterrada em sua cabeça,
Uma boina enjuadamente carmim puseram.
Chamaram-no de mentiroso,
Muitas vezes,
Era verdade.
Era um garoto,
Para que gritar?
Ele aprendeu, num mundo de feras,
A remendar os rasgos,
Porém, eram remendos tolos e desajeitados de uma criança.
Fizeram-no ser firme,
Demonstrar superioridade,
Mesmo que sem necessidade.
Puseram-no estático,
Por mais que cansado,
Puseram-no sob sol,
No calor.
Chamavam-no de homem,
Era só uma criança.
Num dia quente porém,
O miúdo menino,
Vestiu-se de gigante.
Seus olhos teimosos miraram,
Entre os raios de sol,
Acima da muralha.
Ele pode ver,
Haviam coisas.
Haviam diferença e respeito,
O vermelho, lá, parecia suave bonito.
Ninguém fingia ser mal
Ou melhor que ninguém.
O garoto franzino,
Ainda é pequeno,
Ainda se sente só,
Ainda se sente diferente.
Ele já viu muita coisa,
Coisas que nem imaginava existir.
Fora das muralhas,
Ele viu muita coisa colorida,
Mas viu também,
O que não podia ser visto
Por cima daqueles muros.
Viu coisas cinzentas,
Viu pessoas muito parecidas
Com as que viviam entre as muralhas.
Ele nunca entendeu muito bem
Porque as pessoas fazem coisas ruins,
Porque batem
Em quem poderiam afagar.
Agora,
O menino é um pouco maior,
Calça uns números a mais.
Truque do tempo.
Ele não passa de um menino franzino
Com sapatos maiores,
Que não cansa de acariciar
Os desníveis de seus defeituosos remendos infantis,
Esses,
Ele sabe bem,
Não são fáceis de se rebordar.
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