domingo, 5 de abril de 2009

mas isso você nunca saberá.

Você sabe que essas bobagens que escrevo aqui
São só sussurros gritados no vento.
Eu berro!
E forte!
E mais forte!
Na esperança que chegue no teu ouvido,
Nesse teu ouvido surdo os berros de minha cabeça.

Essas interioridades primeiras a tudo,
Essas bobagens de aristocratas e cléricos intediados,
São os desvios de olhares que te dou
São aquelas olhadas não-correspondidas para as quais teus frenéticos olhos castanhos são cegos.

O que regurgito e por fim vomito nessas paginas brancas
Não são mais que minhas cabisbaixisses discretas que você não percebe,

Tudo isso que nem faz sentido à ti,
Todo esse embaralhado de letras tortas e garranxosas,
Não passam de nada pra você.

São meus gritos que você não ouve,
Meus olhares triste que você não vê,
Minhas cabeças-baixas que você não nota,

São meus choros que, de ti, escondo debaixo do travesseiro,

São minhas dores que você nunca conseguiria sentir,

São os temores que me afligem e que você nem conhece,

É essa mão que te ofereci pra afastar teu abraço,

É aquele beijo que neguei a ti quando me levou pela nuca até a tua,

É nada pra ti, e nem se assemelha, para ti, comigo,

É tudo que desconheces de mim,

É tudo que você nunca nem vai saber que faz parte de mim,
De mim, e não do fútil e forte EU que te mostro,
Por que eu sou profundo e frágil.

Mas isso você nunca saberá.

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