terça-feira, 25 de agosto de 2009

OAveçoDoInverso

Batatinha quando nasce põe a mão no coração
Menininha quando dorme se esparrama pelo chão

E é assim que as coisas vão
No meio de toda essa esculhambação
Das historias infantis de simples idealização
Vão se agrupando os dias sem nenhuma direção

Enquanto a vida, em contrução,
Por pura diversão
Pinta-se com a propria mão
À imagem e semelhança da inversão
de tudo que nos haviam contado até então

Pra no final de toda essa controversão
Nos restar versos sem conexão
Em algumas linhas de pura elucubração.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

EuPudiaJurarQueEraRomântico

E eu que jurei que era dengoso
Jurei que era pegajoso,
Um chato grudento
jurei que era um carente cachorro sarnento

Eu não sou dessa onda de "sexo e tchau"
Eu pensei que eu era menos banal
Pensei que era daqueles que troca uma transa por um cafuné
Que não troca um bom suco por um café

Eu tinha certeza que eu não era cachorro,
Muito menos galinha
Podia jurar que de amores fácil fácil morro
E que eu nunca ia sair da linha

Mas minhas juras já não tem valor
Depois de tanta bagunça e tanto rancor

Não sou mais que um bandido
Ou um perdido
Seja lá porque
Se é pelo desuso
Ou se é culpa da TV

Não sei mais o que posso saber
Nem o que esperar, nem o que perder
Dessa vida louca e demente
Que me faz assim pendente
Entre bom partido
E mero pervertido

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Livre Arbítrio nas relações humanas.

Das poucas certezas que existiram, e a única que ainda existe a meu ver, é o conceito de Livre Arbítrio. Eu sei, parece brega. Antiquado e medieval, como qualquer conceito supostamente católico após a segunda guerra. Mas pra mim, não soa assim.
Livre Arbítrio me parece muito mais como um conceito humano do que uma regra, mecanismo, dádiva (ou seja, lá como você quiser chamar) advindo de uma força cósmica maior ou divina. É um simples mecanismo humano com a intenção de amenizar nossa culpa na hora que fazemos o que pode nos parecer moralmente errado. Assim como é reconfortante saber que sempre podemos contar com o Diabo para ser o culpado pelas desgraças. Assim como é intensamente acolhedor termos um Deus ou meia dúzia de santos para quem rezarmos em momento de desespero e angústia.
O conceito de Livre Arbítrio, na realidade, é o contrario disso tudo, por isso é bem mais teórico (e só é prático em momentos restritos). Pois Deus e Diabo são projeções que não se voltam contra nós, eles são criados para desempenhar uma certa função e a desempenham. Deus é bom e acolhedor, se fazemos algo que vai contra as qualidades prezadas por Deus, ele nos perdoa, pois é bom, ou seja, desempenha perfeitamente o papel dele. E o Diabo é mal, é um bode expiatório que é culpado por todas as desgraças humanas, por nossos erros e falhas, logo, é fiel a sua função também. Esses dois conceitos são simples de lidar, é uma relação entre você e eles, simples e direta, sem nenhuma interferência com uma terceira pessoa, sem envolvimento de nenhum outro ser, logo, sem interferir em nenhuma relação social (note que falo dos conceitos de Deus e Diabo, não de religião, Igrejas ou outros tipos de organizações religiosas). Sendo assim, você não entra em conflito, é um mutualismo em perfeito funcionamento.
Já o Livre Arbítrio é bem diferente nesses últimos aspectos. Ele não existe só pra você, porque nessa relação de liberdade você encontra obstáculos, as liberdades alheias. E no momento que sua liberdade (concedida pelo Livre Arbítrio) entra em contato com a do outro, surge a maior falha desse conceito, onde ele se volta contra nós, logo, é muitas vezes ignorado, por isso ele é parcial e teórico na maior parte do tempo. Já que diferentemente de Deus e Diabo, o Livre Arbítrio se relaciona com o terceiro, não é feito só para justificar ações supostamente erradas. O Livre Arbítrio tem uma forte carga de empatia e cumplicidade. Ele existe não só para justificar ações pessoais, como as de outro indivíduo também. Ele é um mecanismo diplomático em uma relação social que te leva a analisar a ação alheia de um ponto de vista mais liberal e flexível, do ponto de vista do livre arbítrio, mas nesse caso não do seu, mas do Livre Arbítrio do outro, já que ele tem a liberdade que quiser que, por vezes, interfere no meio em que você convive.
Analisando dessa maneira, cai-se por terra a velha Lei de Talião, pois mesmo sendo o outro responsável por alguma interferência no seu meio, ele agiu dentro do Livre Arbítrio dele. O que, muitas vezes, é ignorado pelo instinto animal de ferir quando se é ferido, nas relações humanas.
Se esse conceito, básico para qualquer relação social, for esquecido, as diferenças ideológicas se tornam conflitos ideológicos e, logo, tornam-se guerras, e senão guerras, tornam-se intransigências e, em seguida, desrespeito e violência.
O livre arbítrio, portanto, é o conceito fundamental de qualquer inter-relação social bem sucedida e é o único capaz de tornar as diferenças menos nocivas e, até mesmo, harmônicas.

E Você Vem Me Dizer...

E você vem me dizer que minha poesia tá barata
Tá farrapa
Que tô banal,
Tô marginal

Que tô é perdendo a poesia
Que tô contemporaneo demais

Que minha poesia já não faz o que fazia
Que tô é perdendo "meus strass"

Mas poesia não passa de expressão de vida
E minha vida já não brilha desse jeito mais.

Por motivos de clareza da idéia central da poesia, uma alteração na relação entre Bem e o Mal, por mim.

Pois que de todo mal um bem se tira
e em cada bem um mal se faz.
Já nenhuma ação é pequenina
e nada se deixa para tras.

Rima Brega de Fossa (de utilidade pública)

Pois quando se dá tudo por alguém,
Difícil é de perceber na hora
Mas vê-se mais além
No exato agora

Que quando se dá tudo a alguém
Não nos restará muito, sem demora.

domingo, 2 de agosto de 2009

é essa angustia
essa tensão
isso que eu chamo de amor

essa incerteza
esse frio na espinha
isso que eu chamo de amor

é esse tremor
esse temor
isso que eu chamo de amor

é essa agonia
esse anel de vidro
isso pra mim é amor.

A verdade é que...

A verdade é que eu tô pouco ligando,
Tô pouco me lixando
Pra toda essa fama,
Todo esse drama.

Eu tô é cagando
E andando.

sábado, 1 de agosto de 2009

assinado pelo alter ego do meu alter ego.

então você casa
e me leva pra casa
me leva pra cama
sem declaração,
sem drama
nem teatro de paixão.

só pra lembrar
o gosto daquilo que não pode mais

lamber, mordiscar
para tudo tem seu momento
menos pra dizer, entre meus "ais!",
que isso passa de crise de relacionamento.