e agora
que não tem mais
por que chorar,
eu choro.
choro, mas não é ruim.
meus choros, estranhamente,
são sempre bons.
se são de dores,
são de dores superadas.
se de emoção,
são melhores que todos os sorrisos.
quando dói, não choro.
quando dói, eu agonizo
num silêncio profundo de maças secas.
nessas horas eu só seco
pois nem todas as lágrimas
dariam vazão a minha dor.
mas hoje choro,
choro de lembrar da dor
e é bom,
bom de lembrar que ela estava
e não está mais.
será que é verdade o que dizem?
que quando rimos da dor
é quando já superamos?
pois pode ser uma grande mentira dos meus olhos
mas minhas lagrimas gargalham doces sobre meu rosto
quinta-feira, 15 de abril de 2010
segunda-feira, 12 de abril de 2010
mas eu só sou um moribundo
que nao sabe enterrar os mortos
que só faz lembrar de quem nem mais respira
porque quem hoje respira na tua carcaça
nao é aquele que respirou
nao é quem um dia importou
não é culpa de ninguem,
eu só fiz dar a cara,
você só fez bater.
estamos todos limpos,
nossa superficial anistia,
nosso pacto de hipocrisia.
que nos garante
que nunca mais seremos
o que fomos
e que meu calado suportar
sempre me trará a agonia
de lembrar
o que já passou um dia.
que nao sabe enterrar os mortos
que só faz lembrar de quem nem mais respira
porque quem hoje respira na tua carcaça
nao é aquele que respirou
nao é quem um dia importou
não é culpa de ninguem,
eu só fiz dar a cara,
você só fez bater.
estamos todos limpos,
nossa superficial anistia,
nosso pacto de hipocrisia.
que nos garante
que nunca mais seremos
o que fomos
e que meu calado suportar
sempre me trará a agonia
de lembrar
o que já passou um dia.
ainda
eu ainda espero
sem motivo,
sem destino,
sem ninguém.
apenas eu fico
e espero.
mas cada segundo q fico
ele está lá.
lá, no teu dedo,
na tua cabeça.
e, cada vez que eu te toco,
a cada 'oi' e a cada 'tchau'
eu sinto ele
lá, na tua mão.
áspero aro metálico, ele
que me lembra
a cada toque
que ele está lá
sempre está
e não eu.
sem motivo,
sem destino,
sem ninguém.
apenas eu fico
e espero.
mas cada segundo q fico
ele está lá.
lá, no teu dedo,
na tua cabeça.
e, cada vez que eu te toco,
a cada 'oi' e a cada 'tchau'
eu sinto ele
lá, na tua mão.
áspero aro metálico, ele
que me lembra
a cada toque
que ele está lá
sempre está
e não eu.
sexta-feira, 9 de abril de 2010
ASelva
Eu ainda não engoli essa cidade.
A imensidão de dentes afiados,
De olhos predadores
E um céu...que, todos os dias, anuncia
A vitória em nome da derrota.
Mas afinal, é a selva de pedra.
Aqui é matar ou morrer.
Eu já escolhi o que ser
E não é a caça.
Mas, aqui, o que é importante não é lembrar
Quem você é...e, sim, não esquecer
Que nem todos os dias são do caçador.
Eu ainda não engoli essa cidade,
Mas ela...também ainda não me engoliu.
A imensidão de dentes afiados,
De olhos predadores
E um céu...que, todos os dias, anuncia
A vitória em nome da derrota.
Mas afinal, é a selva de pedra.
Aqui é matar ou morrer.
Eu já escolhi o que ser
E não é a caça.
Mas, aqui, o que é importante não é lembrar
Quem você é...e, sim, não esquecer
Que nem todos os dias são do caçador.
Eu ainda não engoli essa cidade,
Mas ela...também ainda não me engoliu.
OMundo
O mundo está trancafiado
Na retina dos meus olhos,
Está na palma das minhas mãos,
Nas voltas da minha lingua,
Nas orlas das minhas orelhas,
Nos túneis das minhas narinas.
O mundo sou eu!
Na retina dos meus olhos,
Está na palma das minhas mãos,
Nas voltas da minha lingua,
Nas orlas das minhas orelhas,
Nos túneis das minhas narinas.
O mundo sou eu!
Cadê?
ai que sono,
ai que sono.
cadê minha cama?
cadê?
cadê meu dengo?
cadê?
cadê meu ninho?
teu carinho?
cadê?
ai que sono,
ai que sono.
e o meu bocejo
é o meu grito mudo,
minha pergunta gritada,
é o meu grito de 'cadê?'
cadê você?
cadê?
cadê meu sono?
ai que sono.
cadê minha cama?
cadê?
cadê meu dengo?
cadê?
cadê meu ninho?
teu carinho?
cadê?
ai que sono,
ai que sono.
e o meu bocejo
é o meu grito mudo,
minha pergunta gritada,
é o meu grito de 'cadê?'
cadê você?
cadê?
cadê meu sono?
ACartaInvisível
Mas, então, meu dengo, te escrevo porque não sei mais porque. Não sei, meu dengo, se você é meu bem querer. Porque eu, meu amor, eu sempre quis o que não podia ter, dengo meu. E agora, eu posso te ter. Será que posso te amar, meu amor? Será? Eu não sei e acho que você não sabe. E eu acho, aqui entre nós, que você também nunca vai me amar, meu amor. E não pense que sou de dar chance. Eu, meu bem querer, eu fico em casa, eu não dou chances, meu amor.
Mas bem agora, tem algo que eu não posso ter, dengo meu. E não quero mais querer, eu não quero mais amar, amor. Não o que não posso ter pelo menos. Hoje eu quis chorar, meu dengo. Passei o dia sem pensar em você. Será que se eu tivesse lembrado de você eu teria sorrido? Eu me cativo muito mesmo pelo que não posso ter, meu amor.
Olha, dengo, eu nunca vou te mostrar essas linhas, você nunca vai saber que não sei se te amo. Não pela minha boca pelo menos, bem querer. Mas nessa carta, eu te conto toda a verdade, nessa carta eu te ponho tudo pra fora, esvazio dos meus pensamentos, do meu coração, pra quando você olhar nos meus olhos, meu amor, você não enxergue atrás deles essas linhas. Porque agora, agora elas estão esparramadas nesse papel, meu amor. É por te contar toda a verdade nessas linhas que me asseguro que nunca la encontrará nos meus olhos.
Mas bem agora, tem algo que eu não posso ter, dengo meu. E não quero mais querer, eu não quero mais amar, amor. Não o que não posso ter pelo menos. Hoje eu quis chorar, meu dengo. Passei o dia sem pensar em você. Será que se eu tivesse lembrado de você eu teria sorrido? Eu me cativo muito mesmo pelo que não posso ter, meu amor.
Olha, dengo, eu nunca vou te mostrar essas linhas, você nunca vai saber que não sei se te amo. Não pela minha boca pelo menos, bem querer. Mas nessa carta, eu te conto toda a verdade, nessa carta eu te ponho tudo pra fora, esvazio dos meus pensamentos, do meu coração, pra quando você olhar nos meus olhos, meu amor, você não enxergue atrás deles essas linhas. Porque agora, agora elas estão esparramadas nesse papel, meu amor. É por te contar toda a verdade nessas linhas que me asseguro que nunca la encontrará nos meus olhos.
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