sexta-feira, 9 de abril de 2010

ACartaInvisível

Mas, então, meu dengo, te escrevo porque não sei mais porque. Não sei, meu dengo, se você é meu bem querer. Porque eu, meu amor, eu sempre quis o que não podia ter, dengo meu. E agora, eu posso te ter. Será que posso te amar, meu amor? Será? Eu não sei e acho que você não sabe. E eu acho, aqui entre nós, que você também nunca vai me amar, meu amor. E não pense que sou de dar chance. Eu, meu bem querer, eu fico em casa, eu não dou chances, meu amor.
Mas bem agora, tem algo que eu não posso ter, dengo meu. E não quero mais querer, eu não quero mais amar, amor. Não o que não posso ter pelo menos. Hoje eu quis chorar, meu dengo. Passei o dia sem pensar em você. Será que se eu tivesse lembrado de você eu teria sorrido? Eu me cativo muito mesmo pelo que não posso ter, meu amor.
Olha, dengo, eu nunca vou te mostrar essas linhas, você nunca vai saber que não sei se te amo. Não pela minha boca pelo menos, bem querer. Mas nessa carta, eu te conto toda a verdade, nessa carta eu te ponho tudo pra fora, esvazio dos meus pensamentos, do meu coração, pra quando você olhar nos meus olhos, meu amor, você não enxergue atrás deles essas linhas. Porque agora, agora elas estão esparramadas nesse papel, meu amor. É por te contar toda a verdade nessas linhas que me asseguro que nunca la encontrará nos meus olhos.

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