sexta-feira, 28 de maio de 2010

Maio

Maio, o mês de todos os desesperados. Quando todos os viciados em namoro e criaturas afins jogam-se nas baladas e nos sites de relacionamento em completo estado de pânico pela possibilidade de, no dia 12 do mês seguinte, não ganhar nenhum presente ou cartão meloso.
Nesse mês bizarro, enquanto todos os encantadores solteiros e, principalmente, solteiras correm sedentos atrás de um dedo anelar vago, os namorados refletem se essa data tão encantadora seria mesmo motivo para se comemorar. Afinal, a suposta metade da laranja nem sempre parece se encaixar tão bem à nossa. As vezes, flores, chocolate e ursinho parecem ser menos apropriados que um hipoglos para dores de pé-na-bunda.
Mas nem todos os namorandos estão pensativos. Alguns deles estão acostumados demais para cogitar a idéia de não ter quem lhes dê uma caixa de doces em forma de coração. Aliás, eles não se incomodariam de ganhar menos q um bombom podre, qualquer coisa seria desculpa o bastante para conseguir ignorar o formigamento que seu pé sente quando vê o traseiro do “ser amado”.
E, claro, não se pode esquecer dos “outros”. Por mais que, infiltrados nos relacionamentos alheios, não recebem seu devido reconhecimento. Eles, postos de lado, como muitas vezes são, vêem o dia 12 como mais um desses momentos. Sozinhos em casa, preferem locar os filmes menos românticos possíveis, prepararem uma panela de brigadeiro, passar o dia deitados mas com o mais profundo desejo de entrar em coma até o dia 13.
Enquanto os amantes fogem do dia 12, os amados também preferiam hibernar durante essas 24 horas. Esses “espíritos livres” não temem um fora, mas sim o contrário. O que deixa eles morrendo de medo é a possibilidade de todas essas velas e corações darem, ao seu “casinho”, a oportunidade para por uma algema no seu pulso, ou melhor, no seu dedo e na sua genitália. E os coitados, que embora tenham hormônios de sobra, também têm, infelizmente pra eles, coração. Acabam aceitando pôr um cinto de castidade que só se abre com a digital do carcereiro.
Mas não importa se o dia dos namorados pode deixar as pessoas desesperadas, frustradas, rejeitadas ou pressionadas. O mês de maio, todas elas sabem, é a última chance de consertar seu trágico estado. Porque, no final das contas, nenhuma delas quer passar esse dia sem companhia e, de preferência, que não seja a de 5 barras de chocolate.

sábado, 8 de maio de 2010

amor de filmes, utopia, ilusão. até que ponto devemos acreditar? até que ponto devemos esperar? esperar alguém perfeito, bonito, simpático, que pense que nem a gente e, claro, nos satisfaça sexualmente.
até que ponto se deve só esperar? e por alguém que possivelmente nem existe, ou, se existe, está tecnicamente inviável.
até que ponto não devemos nós mesmos pararmos pra pensar, pra lembrar, a função de um relacionamento? afinal, manter os pés aquecidos de noite não é assim tão dificil, mas o resto...o resto que é dificíl. dificíl porque já não lembramos mais o motivo do amor. pois a função do amor não é te fazer rir, nem chorar, nem te trazer o melhor sexo da sua vida. a função do amor é te desequilibrar, te abalar, te fazer se perder e então se encontrar. porque, afinal de contas, alguém ainda acha que se encontra alguém pronto e perfeitamente compativel com com outra pessoa?
e aí está nosso ausaimer amoroso, simplesmente esquecemos que o amor é feito pra nos mudar, não o que somos ou nossos gostos, o amor foi feito pra mudar nossas atitudes. foi feito pra nos acostumarmos a estranhesas alheias e receber de volta também a compreensão dos outros sobre nossas esquisitisses. o amor é contruído assim, de diferenças e imperfeições, que, por causa dele, nos faz unidos apesar delas.
mas é lógico! nunca nos agrada as coisas que consideramos imperfeições. sempre nos desagrada, pois entrar na vida de alguém tras muitos riscos de encontrar muita coisa disconfortável. e, de um jeito ou de outro, só o que se procura hoje em uma pessoa é conforto. conforto com o estilo da pessoa, com o jeito de falar, com os assustos, com corpo, com o dinheiro, com a distância...
nós estamos lacrados, se alanisa todos por uma enorme lista de pré-requisitos obrigatórios e se classifica em "tem futuro" ou "não é pra mim". nunca nos lembramos que o problema talvez não esteja em não existir ninguém no mundo possível de nos amar e ser amado pela gente. o problema talvez esteja no nosso desacostume de se abrir de verdade pra alguém que não segue exatamente nossa lista-peneira.
há, claro, quem prefira estar só. não que minha idéia de amor seja estar mal acompanhado, muito pelo contrário. mas ter alguém do seu lado, com quem você se sinta bem, apesar de tudo.
ou você acha mesmo que um Paul Varjak vai bater na sua porta depois de um café da manhã na Tiffany's?

segunda-feira, 3 de maio de 2010

e quem se é?
quem se é quando você nao é mais a vítima?
quando não se é mais o moçinho, o indefeso

o que se é quando,
pelas voltas que a noite dá,
você se vê tão bandido?

afinal, nunca se é feliz
fazendo quem se ama triste

e só depois que a noite acaba
você lembra disso.