sábado, 8 de maio de 2010

amor de filmes, utopia, ilusão. até que ponto devemos acreditar? até que ponto devemos esperar? esperar alguém perfeito, bonito, simpático, que pense que nem a gente e, claro, nos satisfaça sexualmente.
até que ponto se deve só esperar? e por alguém que possivelmente nem existe, ou, se existe, está tecnicamente inviável.
até que ponto não devemos nós mesmos pararmos pra pensar, pra lembrar, a função de um relacionamento? afinal, manter os pés aquecidos de noite não é assim tão dificil, mas o resto...o resto que é dificíl. dificíl porque já não lembramos mais o motivo do amor. pois a função do amor não é te fazer rir, nem chorar, nem te trazer o melhor sexo da sua vida. a função do amor é te desequilibrar, te abalar, te fazer se perder e então se encontrar. porque, afinal de contas, alguém ainda acha que se encontra alguém pronto e perfeitamente compativel com com outra pessoa?
e aí está nosso ausaimer amoroso, simplesmente esquecemos que o amor é feito pra nos mudar, não o que somos ou nossos gostos, o amor foi feito pra mudar nossas atitudes. foi feito pra nos acostumarmos a estranhesas alheias e receber de volta também a compreensão dos outros sobre nossas esquisitisses. o amor é contruído assim, de diferenças e imperfeições, que, por causa dele, nos faz unidos apesar delas.
mas é lógico! nunca nos agrada as coisas que consideramos imperfeições. sempre nos desagrada, pois entrar na vida de alguém tras muitos riscos de encontrar muita coisa disconfortável. e, de um jeito ou de outro, só o que se procura hoje em uma pessoa é conforto. conforto com o estilo da pessoa, com o jeito de falar, com os assustos, com corpo, com o dinheiro, com a distância...
nós estamos lacrados, se alanisa todos por uma enorme lista de pré-requisitos obrigatórios e se classifica em "tem futuro" ou "não é pra mim". nunca nos lembramos que o problema talvez não esteja em não existir ninguém no mundo possível de nos amar e ser amado pela gente. o problema talvez esteja no nosso desacostume de se abrir de verdade pra alguém que não segue exatamente nossa lista-peneira.
há, claro, quem prefira estar só. não que minha idéia de amor seja estar mal acompanhado, muito pelo contrário. mas ter alguém do seu lado, com quem você se sinta bem, apesar de tudo.
ou você acha mesmo que um Paul Varjak vai bater na sua porta depois de um café da manhã na Tiffany's?

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