Maio, o mês de todos os desesperados. Quando todos os viciados em namoro e criaturas afins jogam-se nas baladas e nos sites de relacionamento em completo estado de pânico pela possibilidade de, no dia 12 do mês seguinte, não ganhar nenhum presente ou cartão meloso.
Nesse mês bizarro, enquanto todos os encantadores solteiros e, principalmente, solteiras correm sedentos atrás de um dedo anelar vago, os namorados refletem se essa data tão encantadora seria mesmo motivo para se comemorar. Afinal, a suposta metade da laranja nem sempre parece se encaixar tão bem à nossa. As vezes, flores, chocolate e ursinho parecem ser menos apropriados que um hipoglos para dores de pé-na-bunda.
Mas nem todos os namorandos estão pensativos. Alguns deles estão acostumados demais para cogitar a idéia de não ter quem lhes dê uma caixa de doces em forma de coração. Aliás, eles não se incomodariam de ganhar menos q um bombom podre, qualquer coisa seria desculpa o bastante para conseguir ignorar o formigamento que seu pé sente quando vê o traseiro do “ser amado”.
E, claro, não se pode esquecer dos “outros”. Por mais que, infiltrados nos relacionamentos alheios, não recebem seu devido reconhecimento. Eles, postos de lado, como muitas vezes são, vêem o dia 12 como mais um desses momentos. Sozinhos em casa, preferem locar os filmes menos românticos possíveis, prepararem uma panela de brigadeiro, passar o dia deitados mas com o mais profundo desejo de entrar em coma até o dia 13.
Enquanto os amantes fogem do dia 12, os amados também preferiam hibernar durante essas 24 horas. Esses “espíritos livres” não temem um fora, mas sim o contrário. O que deixa eles morrendo de medo é a possibilidade de todas essas velas e corações darem, ao seu “casinho”, a oportunidade para por uma algema no seu pulso, ou melhor, no seu dedo e na sua genitália. E os coitados, que embora tenham hormônios de sobra, também têm, infelizmente pra eles, coração. Acabam aceitando pôr um cinto de castidade que só se abre com a digital do carcereiro.
Mas não importa se o dia dos namorados pode deixar as pessoas desesperadas, frustradas, rejeitadas ou pressionadas. O mês de maio, todas elas sabem, é a última chance de consertar seu trágico estado. Porque, no final das contas, nenhuma delas quer passar esse dia sem companhia e, de preferência, que não seja a de 5 barras de chocolate.
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